quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Abertura do ano formativo na Obra Castelo Interior de Santa Teresa de Jesus

A Comunidade Rainha do Carmelo, nesta tarde do dia 22 de outubro de 2012, deu inicio o ano de formação na obra de nossa Santa Madre Teresa de Jesus, Castelo interior.

Após a 3º palestra ministrada por nosso irmão Giovani, (santificado seja o vosso nome), a comunidade recebeu os novos irmãos que inciarão no processo de discernimento de sua vocação na ocds, ocasião propicia da abertura do nosso ano de formação no estudo das Moradas de Santa Madre Teresa de Jesus.

Maria Luisa e Regina, duas andarilhas de Deus organizavam as malas para entrar neste castelo. 

 Para isso foi preciso retirar tudo o que era de supérfluo.
 Para levar o essencial que não pode faltar no caminho.







Nossa formadora Neila, segurando o coração "meu espirito se alegra em Deus".


Vídeo do momento da oração com o canto do Castelo Interior.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

3ª PALESTRA SOBRE O PAI NOSSO


SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME

À primeira vista parece ser muito estranho esse pedido do Pai Nosso: “Santificado seja o vosso nome”. Santificado seja o vosso Nome? Como assim? Não teria sido mais “normal” Jesus ter dito: “Louvado seja o vosso Nome”, ou “Bendito e adorado seja o vosso santo Nome”, ou ainda, “Glorificado seja o vosso Nome”? Não é nada usual desejar que o Nome Santíssimo de Deus seja santificado. Seria quase uma redundância não acham? Permitam-me esta comparação, mas, seria o mesmo que desejar que a luz do sol seja brilhante ou que a água seja molhada.

O Nome de Deus (sempre escreverei a palavra “nome” com “N” maiúsculo quando estiver me referindo a Deus) já é Santo por natureza. Deus é o Santo, Santo, Santo! Assim O louvam a multidão dos Anjos no Céu: “Os serafins se mantinham junto dele. Cada um deles tinha seis asas. Suas vozes se revezavam e diziam: ‘Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama a sua glória’” (Isaías 6, 2-3).

Deus é a própria santidade, a perfeição infinita. Jesus mesmo dirigindo-se aos discípulos, apontou seu Pai como o modelo e fim e toda a santidade: “Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mateus 5, 48). Assim, sua santidade infinita nem aumenta e nem diminui mais do que já é, visto que Deus é imutável. Então, o que significa desejar que o Nome de Deus seja santificado?

Do ponto de vista humano, o bom nome de um pai ou de uma mãe é confirmado ou enaltecido no modo de ser de seus filhos. Não é verdade? Quando vemos uma criança ou um jovem com bom comportamento, imediatamente associamos isso à boa educação de seus pais. Ao contrário, quando vemos uma criança ou um jovem demonstrando má conduta ou comportamento errado, de pronto dizemos: “que mal-educado”! Olha só! Atribuímos o bom ou o mau comportamento à boa ou má educação dos pais.

Deus é Pai. Sua maior honra, sua maior glória é a santidade de seus filhos e filhas! A maior razão de sua alegria é ver seus filhos e filhas sendo semelhantes ao Filho Jesus: “Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu (a alegria de Deus) por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento(Lucas 15, 7). Deus se compraz na santidade de seus filhos e filhas. Claro que a santidade de Jesus, Filho Único de Deus, é suficiente para suprir toda a humanidade, no entanto, o Pai ama seus filhos e filhas adotivos e se sente feliz em ser amado por eles. Como todo “pai orgulhoso”, contempla seus filhos e filhas fiéis e com eles e por eles Se compraz e rejubila: "Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas. Tais como as flechas nas mãos do guerreiro, assim são os filhos gerados na juventude. Feliz o homem (aqui poderíamos dizer: feliz Deus Pai) que assim encheu sua aljava: não será confundido quando defender a sua causa contra seus inimigos à porta da cidade. Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas”. (Salmo 126, 3b-5).

Jesus mesmo associou a glorificação do Nome do Pai ao “bom comportamento” (as boas obras) dos filhos e filhas de Deus: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas, sim, para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus (Mateus 5, 14-16). Interessante notar no texto que mais uma vez Jesus usa a palavra “céus” para designar os lugares onde o Pai está, isto é, no Céu empíreo e em todos os lugares onde é adorado, amado e obedecido, inclusive nos corações humanos.

Que maravilha pensar que quando rezamos o Pai Nosso, desejamos que o Nome Santo de Deus seja santificado no modo de viver de seus filhos e filhas! Que lindo, meu Deus! Imagino o amor e o fervor de Jesus no momento que rezou essa parte do Pai Nosso! Como Ele deve ter ardentemente desejado que o bom Nome de Deus fosse santificado em toda a terra, em cada continente, em cada nação ou povo, bem como nos corações de cada filho e filha de Deus: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13, 35).

Podemos deduzir de tudo isso que comentamos que desejar que o Nome do Pai seja santificado é desejar “tudo de bom” para Deus. É desejar que esse Nome seja buscado, conhecido, acolhido, respeitado, venerado, adorado, amado, obedecido, honrado e glorificado. Santificar o Nome de Deus é tudo isso! Assim como os serafins que clamam sem cessar: “Santo, Santo, Santo”, quem verdadeiramente ama a Deus, cumprindo Sua Santa Vontade, com seu modo de viver e exemplo de sua vida clama sem cessar: “Santo, Santo, Santo sois Vós, meu Deus! Não sou eu quem vivo, mas é Cristo que vive em mim (cf. em Gálatas 2,20)! Tudo é vosso, meu Deus! Eu não sou nada! Eu não sou nada! Toda honra, toda glória, poder e majestade vos pertencem, Senhor nosso Deus” (cf. em Apocalipse 4,11)!


VENHA A NÓS O VOSSO REINO

Tenho uma tia que sempre considerou essa parte do Pai Nosso uma das mais importantes de toda a oração. Argumenta ela que neste pedido está contido tudo, isto é, a síntese de tudo que poderíamos supor ou imaginar pedir de bom e de útil às nossas almas e para as nossas vidas. Ela tem razão. Diz-me também que quase ninguém pensa na importância, mérito ou valor dessas palavras e que elas, durante a prece, passam quase despercebidas. Mais uma vez ela tem razão. Será que realmente intuímos no que dizemos ao pedir: “venha a nós o vosso Reino”?

Os santos evangelhos diversas vezes falam no Reino de Deus. Jesus veio trazer à terra o Reino de seu Pai. Que significa isso? Todas as vezes que pensamos em “reino” ou “reinos” logo imaginamos aqueles reinos das histórias infantis, com castelos, terras, com reis, rainhas, príncipes, princesas, cavalheiros, súditos, etc. Nossa noção de reino é muito “materializada” e muito “humanizada”. Somos muito parecidos com são Tomé: só cremos no que vemos. Para muita gente é difícil crer em Deus ou em sua ação e influência no mundo, visto que não O vemos com os olhos da carne e, aparentemente, parece que Ele nos entregou à nossa própria sorte. “Onde está o teu Deus”?, dizem.

Pilatos, durante o julgamento de Jesus, perguntou: “Tu és rei”? Realmente, como crer que aquele homem simples, vestindo uma túnica de linho e preso pelos sacerdotes e fariseus, era o Rei dos judeus, do mundo e de todo o universo? Como crer que o Reino de Deus existe se pouco vemos essa “presença” misteriosa de Deus no mundo?

Jesus utilizou-se de varias comparações quando falou do Reino. Comparou-o a um pequeno “grão de mostarda”, a um “semeador” que semeia em terrenos diversos, ao “fermento” que faz a “massa de trigo” crescer, a uma “pérola preciosa” que um homem acha no campo, falou diversas vezes que ele estava “próximo”, e, mais ainda, que estava “no meio deles”.

Nosso Deus, apesar de toda a sua infinita majestade é muito simples. Seu modo de agir, na maioria das vezes, é feito no silêncio, na simplicidade do dia a dia. Deus não gosta de alardes, não gosta de “espetáculos” e nem quer “aparecer”. Jesus levou uma vida muito simples quando esteve na terra. Nasceu pobre em uma gruta de Belém, esteve incógnito no Egito, foi um menino simples de Nazaré, trabalhava na oficina de carpintaria de seu pai nutrício São José, compareceu ao batismo de São João Batista como todos os outros, foi pregador itinerante, fazendo todos os percursos a pé, como o fazem os pobres, muitas vezes pedia segredo quando curava alguém, fugia para lugares desertos, frequentava as vilas pobres, comia com os pecadores, abraçava as crianças, isto é, nada que um “rei mundano” faria.

Meu reino não é deste mundo. Meu reino não é daqui”, respondeu a Pilatos. Claro que o “pobre governador” não entendeu nada e considerou Jesus um louco. Como estava longe da compreensão do Reino! O pensamento mundano cega a compreensão do Reino. Quem pensa como o mundo pensa (portanto, como satanás pensa) jamais consegue compreender o que é o Reino e onde ele está. Caminha às cegas, às escuras, totalmente obscurecido por uma “realidade” que ele julga compreender. Realmente esses “cegos na fé” são os que mais acham que veem ou entendem alguma coisa. Acham-se “sábios” e “entendidos” para as coisas do mundo. Eles tem os que creem como tolos ou iludidos, como pessoas dignas de pena. Coitados! Eles é que são dignos de pena, pois são verdadeiramente cegos e caminham para a perdição eterna! Não buscam a verdade. Antes, a aborrecem ou, mesmo, a odeiam. Como são dignos de nossa pena! Vivem na mentira e a mentira os atordoa e ilude.

Para tentarmos ao menos entender um pouco desse Reino, necessário se faz que ao menos queiramos saber a verdade. Nem todos gostam da verdade. A verdade dói. A verdade incomoda. A verdade denuncia. A verdade vem para mudar nossa vida, nosso modo de pensar e de agir. Por que isso? Porque geralmente vivemos na mentira, enganamo-nos a nós mesmos, vivemos em nosso “mundinho”, em nossos “reinozinhos”, sendo nossos próprios “reis” e “rainhas”. Muitas vezes somos iguais a Herodes: temos pavor do reinado de Jesus, o Menino de Belém. Temos medo de que Ele nos destrone, que acabe com nossa autossuficiência e com os “reinos” que tão dedicadamente construímos ao nosso redor.

Meu reino não é deste mundo. Meu reino não é daqui! Brada a cada um de nós o Cristo do Pai. Sim! O Reino é dos Céus. O Reino é do Pai. Ele é o Rei, juntamente com a Pessoa do Filho e a do Espírito Santo. Para compreendermos esse Reino, antes de tudo, temos que querer conhecer a verdade, e, a Verdade é Jesus. Foi Jesus quem veio nos trazer esse Reino. Jesus é o próprio Reino!  

E o que é o Reino de Deus? O Reino de Deus é a presença de Deus no mundo, nos povos, nas famílias e em cada coração. Jesus veio trazer o Reino ao mundo porque Ele próprio é a perfeita realização desse Reino: Jesus é o Emanuel, o Deus Conosco. Se permitirmos que Deus seja o centro de nossas vidas, o Reino de Deus estará no meio de nós. Se permitirmos que Ele seja o Rei de nossos corações, todo o seu Reino O acompanhará e se estabelecerá em nossas vidas.

Para que esse Reino aconteça temos que desejar, buscar, acolher e viver a verdade. Essa verdade é o próprio Cristo Jesus. Mas, será que temos o mesmo coração que Pilatos? Na entrevista que teve com Jesus, no momento de seu injusto julgamento, perguntou ao Senhor: “o que é a verdade”? Jesus ficou calado. Adiantava dizer àquele homem de coração corrompido e mundano que a Verdade era Ele mesmo? Jamais entenderia.

Desejar e pedir ao Pai que o seu Reino venha a nós é desejar tudo que está escrito nos Santos Evangelhos:

·        Aceitar Jesus como nosso Senhor e Salvador.

·        Arrepender-se dos pecados e buscar a conversão.

·        Desejar ser santo, amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

·        Levar uma vida evangélica conforme o espírito das bem-aventuranças que Cristo ensinou.

·        Renunciar a si mesmo e levando a cruz cotidiana com paciência e amor.

·        Ser um bom cristão católico, buscando com frequência e amor os santos sacramentos.

·        Frequentar e praticar piedosamente a Sagrada Liturgia.

·        Participar ativamente do discipulado e apostolado de Cristo, sendo “sal da terra” e “luz do mundo” em nossa família, no trabalho, na escola, no lazer e na paróquia e/ou diocese à qual pertencemos.

Tudo isso é “Reino de Deus” em nossas vidas. Será que realmente desejamos e pedimos isso quando rezamos o Pai Nosso?
Giovani Carvalho Mendes, ocds

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Santa Madre Teresa de Jesus, rogai por nós!!!! 15-10-12

"Com tão bom amigo presente, com tão valoroso capitão, que em matéria de padecer foi o primeiro, tudo se pode tolerar. Serve de auxílio e dá forças. Nunca falta. É amigo verdadeiro.

Vi depois, e sempre tenho visto claramente, que para agradarmos a Deus e para que nos conceda favores, deseja ele que o recebamos por intermédio desta Humanidade Sacratíssima, na qual Sua Majestade declarou ter posto suas complacências.
Tenho visto muitas vezes por experiência: o Senhor também me disse isto. Tenho compreendido claramente que esta é a Porta pela qual devemos entrar, se pretendemos que a soberana Majestade revele grandes segredos.
Não queira outro caminho, ainda que esteja no cume da contemplação. Por aqui irá seguro. É por meio deste Senhor nosso que nos vêm todos os bens. Ele o ensinará. Contemple Sua vida, porque não há melhor modelo.
Que mais podemos desejar do que ter a nosso lado tão bom amigo! Não nos abandonará nas dificuldades e nas tribulações, como fazem os do mundo.
Bem-aventurado quem O amar deveras e sempre o trouxer junto de si. Consideremos o glorioso São Paulo de cujos lábios, por assim dizer, não saía senão o nome de Jesus, tão bem gravado o tinha no coração. Desde que entendi isto, tenho considerado atentamente alguns santos, grandes contemplativos, e reparei que não seguiam por outro caminho. São Francisco bem o demonstra nas chagas, Santo Antônio de Pádua, no Menino, São Bernardo deleitava-se com a humanidade. O mesmo ocorria com Santa Catarina de Sena.
Havemos de andar com liberdade neste caminho, abandonados às Mãos de Deus. Se Sua Majestade quiser elevar-nos à categoria de seus camareiros e confidentes dos seus segredos, vamos de boa vontade.
Ao pensarmos em Cristo, sempre nos lembremos do amor com que nos fez tantas graças e da grande ternura que Deus nos testemunha em nos dar tal penhor do muito que nos ama: pois amor gera amor. Procuremos sempre ir considerando estas verdades e estimulando-nos a amar. Uma vez que o Senhor nos faz a graça de imprimir em nosso coração este amor, ser-nos-á tudo fácil. Faremos grandes coisas muito depressa e sem trabalho." Santa Teresa de Jesus. (Livro da Vida, 22 7-12)
Santa Madre Teresa de Jesus, é essa mulher Extraordinária, Santa, Sábia, Humana, e acima de tudo Amiga de Jesus. Leio e releio essas suas palavras escritas acima e quando mais eu leio, mais me alegro e louvo a Deus pela oportunidade de tê-la conhecido. Quantas verdades, quantos ensinamentos... Sou apaixonada por ela!!!! Hoje na missa, quando o padre falou um pouco de sua vida, enchi os olhos de lágrimas, pensando que sou sua filha, mas tão distante de tudo que ela é, tão diferente de tudo que ela é!!! Aqui fica minha frase: Ela tem e é o que eu gostaria de ter e ser!!!! Minha Santa Madre Teresa de Jesus, intercedei a Deus por minha vocação e pelas vocações carmelitanas do mundo inteiro!!!

O encontro de Jesus com o jovem rico!

Durante o Angelus, Bento XVI explica o verdadeiro significado do enontro de Jesus com o jovem rico

CIDADE DO VATICANO, domingo, 14 de outubro de 2012(ZENIT.org)- Publicamos a seguir as palavras de Bento XVI pronuciadas aos fiéis e peregrinos reunidos nesta manhã, na Praça de São Pedro, para a tradicional oração mariana do Angelus.

Queridos irmãos e irmãs!
O Evangelho deste domingo (Mc 10,17-30) tem como tema principal a riqueza. Jesus ensina que é muito difícil para um rico entrar no reino de Deus, mas não impossível; de fato, Deus pode conquistar o coração de uma pessoa que possui muitos bens e impeli-la à solidariedade e à partilha com quem é necessitado, com os pobres, ou seja, a entrar na lógica da doação. Desta maneira, esse se coloca no caminho de Jesus Cristo, que - como escreve o apóstolo Paulo - "Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza" (2 Cor 8, 9).
Como muitas vezes aparece nos Evangelhos, tudo é inspirado de um encontro: o de Jesus com um tal que "possuía muitos bens" (Mc 10, 22). Este era uma pessoa que desde a sua juventude observava fielmente todos os mandamentos da Lei de Deus, mas não havia encontrado a verdadeira felicidade; e por isso pergunta a Jesus como “fazer para alcançar a vida eterna" (v. 17). Por um lado, ele é atraído, como todo mundo, pela vida em plenitude e, por outro, acostumado a contar com suas próprias riquezas, acha que a vida eterna pode ser de alguma forma "adquirida", talvez observando um mandamento especial. Jesus colhe o desejo profundo que existe naquela pessoa, e - observa o evangelista - fixa-lhe um olhar cheio de amor: o olhar de Deus (cf. v 21.). Mas Jesus entende também qual é o ponto fraco daquele homem: é exatamente o apego aos seus bens, e, por isso propõe-lhe dar tudo aos pobres, de modo que o seu tesouro - e então o seu coração - não esteja mais na terra, mas no céu, e acrescentou: "Vem! Segue-me "(v. 22). Este, no entanto, em vez de acolher com alegria o convite de Jesus, vai embora triste (cf. v. 23), porque não consegue desapegar-se de suas riquezas, que nunca poderão dar-lhe a felicidade e a vida eterna.
É neste momento que Jesus dá aos seus discípulos - e também para nós hoje - o seu ensinamento: "Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os ricos" (v. 23). A estas palavras, os discípulos ficaram desconcertados; e ainda mais depois que Jesus acrescentou: “É mais fácil para um camelo passar pelo fundo duma agulha do que para um rico entrar no reino de Deus”. Mas, vendo-os atônitos, disse: "É impossível para os homens, mas não para Deus, porque a Deus tudo é possível." (cf. vv. 24-27). Assim comenta São Clemente de Alexandria: "A parábola ensina que os ricos não devem negligenciar a sua salvação como se fossem já condenados, não devem jogar fora a riqueza nem condená-la como insidiosa e hostil à vida, mas devem aprender como usar a riqueza e dar sentido à vida "(Que rico se salvará? 27, 1-2). A história da Igreja é cheia de exemplos de pessoas ricas que usaram seus próprios bens de forma evangélica, alcançando até a santidade. Basta pensarem São Francisco, Santa Elizabeth da Hungria ou São Carlos Borromeo. A Virgem Maria, Sede da Sabedoria, ajude-nos a aceitar com alegria o convite de Jesus para entrar na plenitude da vida.

Queridos irmãos e irmãs!
Ontem, em Praga, foram proclamados Beatos Federico Bachstein e treze co-irmãos da Ordem dos Frades Menores. Estes foram assassinados em 1611 por causa de sua fé. São os primeiros Beatos do Ano da Fé, e são mártires: recordam-nos que crer em Cristo significa estar dispostos também a sofrer com Ele e por Ele.

sábado, 13 de outubro de 2012

CONVITE ESPECIAL!!

Nosso Carmelo Santa Teresinha tem a imensa satisfação
de convidar você para celebrar conosco
a solenidade de nossa tão amada:

Dia 15 de outubro de 2012
À 8 horas da manhã
A celebração será presidida por
nosso Bispo Auxiliar. 
Desde já agradecemos sua participação conosco neste dia tão importante para toda a ordem do Carmelo,

E que nossa Santa Madre Teresa de Jesus,
alcance do céu aquelas graças que mais desejam,
e para que suas vidas sejam um
Cântico às misericórdias do Senhor!

sábado, 6 de outubro de 2012

O Rosário, oração mariana!

Mons. Vitaliano explica a origem da festa do Rosário
Por Mons. Vitaliano Mattioli*
CRATO, sexta-feira, 5 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - O mês de outubro é dedicado à Virgem do Rosario e no próximo domingo, dia 7, a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora do Rosário.

Inicialmente esta festa se chamou festa de Santa Maria da Vitória, por celebrar a libertação dos cristãos dos ataques dos turcos, na batalha naval do 7 de outubro de 1571 em Lepanto (Grécia). São Pio V, Papa de então, para defender a Cristandade, estabeleceu que o Santo Rosário fosse rezado por todos os cristãos, pedindo a ajuda da Mãe de Deus, nessa hora decisiva. Atribuindo a vitória à intercessão de Maria, auxílio dos cristãos, instituiu esta festa no ano de 1572.
Sobre a origem do Rosário. A tradição diz que foi revelado a S. Domingos de Gusmão (1170-1221), numa aparição de Nossa Senhora, quando ele se preparava para defender a Igreja das heresias.
O Rosário completo era formado por 150 ave-marias, substituindo a oração dos antigos monges que rezavam todos os dias os 150 salmos do Saltério. Mas isso não era possível para o povo porque a sua maioria era analfabeta. Assim nasceu o Rosário, o “saltério de Nossa Senhora”, a “Bíblia dos pobres”, substituindo os 150 salmos pelas 150 ave-marias.
Os papas sempre recomendaram esta oração. A mesma Virgem em Fátima manifestou o seu grande desejo de que os cristãos rezassem o Rosário. O Beato João Paulo II escreveu a Carta Apostólica “O Rosário da Virgem Maria” (Rosarium Virginis Mariae, 16 de outubro do ano de 2002 ), insistindo na importância desta oração; nessa carta incluiu os cinco mistérios da luz. Dessa forma, o Rosário completo passou a ser formado por 200 ave-marias.
Nos vários mistérios pode-se meditar e contemplar toda a história da salvação, desde a Anunciação até a coroação de Nossa Senhora, refletindo sobre a vida pública de Jesus, a sua paixão, morte e ressurreição. Pode-se rezar em qualquer momento e lugar. Mas especialmente a Igreja aconselha rezar o Rosário em família. Em tempos passados, na tarde ou na noite, toda a família se reunia para honrar a Maria com esta oração. Hoje, que a família está em grande crise, é fundamental recuperar esta devoção para a salvação da família, pela sua unidade e pela perseverança na fidelidade dos esposos. Maria prometeu muitas graças aos seus devotos, a quantos a honram rezando o Rosário.
Neste mês de outubro seria bom que cada família pudesse encontrar o tempo para recuperar esta maravilhosa devoção. Este é o desejo do Papa na sua Carta Apostólica: “Oração pela paz, o Rosário foi desde sempre também oração da família e pela família. Outrora, esta oração era particularmente amada pelas famílias cristãs e favorecia certamente a sua união. É preciso não deixar perder esta preciosa herança. Importa voltar a rezar em família e pelas famílias, servindo-se ainda desta forma de oração...A família que reza unida, permanece unida.” (n. 41).
* Mons. Vitaliano Mattioli, nasceu em Roma, Itália, em 1938 e realizou estudos clássicos, filosóficos e jurídicos. Foi professor na Universidade Urbaniana e na Escola Clássica Apollinaire de Roma e Redator da revista "Palestra del Clero". Atualmente é missionário Fidei Donum na diocese de Crato, no Brasil.
(Ed.TS)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

RETIRO DA COMUNIDADE RAINHA DO CARMELO/ 2012. TEMA: A ORAÇÃO DA IGREJA (Santa Edith Stein)




RETIRO DA COMUNIDADE RAINHA DO CARMELO
2012

TEMA: A ORAÇÃO DA IGREJA, segundo orientações de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)


Sábado, dia 15 de setembro, memória de Nossa Senhora das Dores

1.    PRIMEIRO TEXTO: OS GRAUS DA ORAÇÃO
No primeiro momento da manhã, meditamos sobre os graus da oração, tão bem descritos por nossa santa madre Teresa de Jesus e, aqui, aprofundadas por santa Teresa Benedita da Cruz.

I)                  Oração Vocal
a.     Rezar em cima de textos: Pai Nosso, Ave Maria, Santo Rosário, Liturgia das Horas. Apesar de rezadas vocalmente, o coração tem que acompanhar tais preces, pois, senão, tornam-se vazias e sem sentido em si.

II)               Meditação
a.     Fazer com que o pensamento se aprofunde nas verdades eternas meditadas.
b.     Dar “asas à imaginação”, fazendo com que nos venham à mente as “imagens” das principais passagens da vida e dos mistérios de Cristo e de sua Mãe Santíssima.
c.     Pensar na vida de Cristo, em sua Encarnação, Natividade, Vidas Doméstica e Pública, em sua Paixão, Morte e Ressurreição, etc.
       III)  Oração de Quietude
    a. Neste grau de oração, é o Espírito de Deus quem toma a alma em suas mãos, tomando-lhe as potências da mente, da alma e até mesmo do corpo.
     b. A alma se sente inundada por Deus, por sua presença.
c.     Neste grau de oração podem ocorrer os êxtases e visões, que não refletem a santidade da alma, mas, que podem ser “presentes” ou “mimos” de Deus preparando a alma para futuras provações, tribulações ou tentações.
d.     Os santos e todos aqueles destinados a grandes missões dentro da Igreja, muitas vezes recebem de Deus a Oração de Quietude.
IV)          Matrimônio Espiritual
a.     Neste grau, cessam-se as manifestações extraordinárias, mas, a alma já é plenamente de Deus, está unida a Ele indivisível união.
b.     Goza da sua constante presença mesmo no meio das atividades exteriores, que em nada lhe impedem a união.
Após o primeiro momento, o grupo foi dividido em subgrupos de duas pessoas que partilharam suas experiências, dificuldades e alegrias em sua vida de oração e em suas vidas pessoais onde a oração está presente.

Algumas frases ditas na partilha dos irmãos e irmãs:
 ü É em nossa fraqueza que se manifesta a fortaleza de Deus.
 ü A oração é algo que precisa ser aprofundado em nossa vida.
 ü A oração é esse momento de amor com Deus, que se traduz em vida, em gestos concretos, em nossa ação na convivência com os irmãos e irmãs.
ü A oração se torna ilusão, quando a mesma não se traduz em gestos concretos.
ü Não desistir nunca da oração, mesmo com todas as dificuldades que vão surgindo: distrações, problemas cotidianos (pessoais, na família e no trabalho), falta de saúde, etc..
ü Jesus é nosso Mestre na oração. Deixemo-nos guiar por Ele.
ü Será que estamos realmente vivemos esse trato de amizade mesmo, de intimidade, de simplicidade, com Deus?
ü Nosso orgulho e nossa autossuficiência atrapalham muito essa relação de intimidade com Deus.
ü Deus é uma Pessoa real, que está presente em nossas vidas, nos vendo, nos ouvindo, participando de nossa vida. Temos consciência disso?
ü Podemos encontrar a presença de Deus na natureza, na contemplação das criaturas do Senhor: o sol, o mar, as plantas, as árvores, as flores, os animais, etc. Tudo nos fala de Deus Criador, de sua bondade, sabedoria e beleza.
ü Eu vivo a minha oração como uma verdadeira amizade com Deus? Será que Ele para mim não está meio longínquo, meio distante? Será que não desconfiamos de Deus?
ü Será que não nos “encabulamos” diante de Deus, pois, sabemos que Ele é amigo, mas, ao mesmo tempo, uma “autoridade”. Será que não O tememos mais do que O amamos?
ü Não há outro Caminho, outra Verdade e nem outra Vida, somente Jesus. Será que sabemos e vivemos realmente isso? Há uma grande distância entre o que “sabemos” ou “compreendemos” (em nossa mente, em nosso raciocínio) e o que sentimos e vivemos em nosso coração.
ü Sejamos simples, a exemplo de Santa Teresinha, vivendo nossa pequenez e nossa total incapacidade diante de um Deus maravilhoso e bom que nos acolhe e entende as nossas fraquezas.
ü A certeza que Deus nos ama nos faz recomeçar sempre, apesar de nossas fraquezas e até mesmo de nossas quedas. Olhar para Ele, confiar em seu amparo, que Ele está presente mesmo nos momentos nos quais não O sentimos.
ü Para que nosso amor seja verdadeiro, e nossa amizade duradoura, temos que buscar meios de fortalecer esse amor e essa amizade com Deus. Através das leituras espirituais podemos reforçar, no fortalecimento da fé, esse amor com Deus.
ü Nos momentos onde estamos de “lua de mel” com Deus, fica fácil ficar várias horas em oração contemplativa, mas, nos momentos de aridez, podemos ficar o dia inteiro repetindo jaculatórias em sinal de fidelidade a Deus e perseverança no caminho de Deus.
ü Nossa oração deve nos levar à partilha fraterna com o outro. Podemos levar aos irmãos o nosso amor e partilhar com eles o quanto amamos ao nosso Deus.
ü A simplicidade é uma porta larga que nos une a Deus. Quando somos simples diante de Deus, tudo se torna mais fácil e claro. Sua vontade, mesmo nos momentos difíceis, se torna cristalina. Nosso orgulho e desconfiança, “embaçam” nossa visão de Deus.
ü O orgulho, como aconteceu com Adão e Eva, faz com que nos escondamos de Deus, que tenhamos medo dEle, que não aceitemos sua vontade e nos leva facilmente à revolta.
ü Devemos agradecer a Deus a beleza de cada momento em nossa vida. Agradeçamos a cada manhã por estarmos vivos, pelo dia ter nascido, pelos pássaros estarem cantando, pelo sol que nasceu, em fim, devemos ver em todos os momentos a presença de Deus.
ü Todos os dias devemos nos alimentar com Palavra de Deus. Busquemos, busquemos diariamente nos alimentar com a Palavra de Deus para não termos fraqueza espiritual.
ü Muitos dos irmãos contaram pequenos detalhes na infância nos quais Deus se manifestou. Essas lembranças ainda hoje alimentam a nossa fé.
ü O que nos ocorreu na infância nos marca para sempre, ainda hoje nos emociona, nos alenta e acalenta, nos faz lembrar que devemos ser criancinhas perante nosso Deus.


2.    SEGUNDO TEXTO: DIÁLOGO SOLITÁRIO COM DEUS.

Edith Stein era judia. Mesmo convertida ao catolicismo e batizada, ela mantinha suas raízes no judaísmo.
Jesus, como judeu, participava das festas e tradições de seu povo. Celebrava a ação de Deus na história do povo de Israel.
Rezar, ir ao culto com a família, celebrar festas e momentos litúrgicos com sua comunidade, não é estranho para o povo judeu, muito pelo contrário. Isso fazia parte da tradição judaica. A Igreja, fiel à suas origens, mantém a mesma tradição.
Somos pedras vivas, edificadas sob o fundamento de Cristo e dos apóstolos. Continuamos o culto divino, como Igreja.
Nada nos pertence. Nem a nossa vida, nem o nosso tempo, nem nada que temos, realmente nos pertence. Somos administradores de tudo isso. Nós costumamos em pedir a benção a Deus. A benção, para os judeus, não é algo que Deus nos dá, mas, algo que damos a Deus. Nós é que bendizemos a Deus por suas graças e dons que nos confiou em sua generosidade.
Temos que dar graças, reconhecer a bondade de Deus, sua benignidade em nos conceder tudo que somos e que temos.
Quando oramos, quando celebramos a Deus, declaramos que não somos escravos, mas, livres filhos de Deus, cujas vidas pertencem somente a Ele.
Quando não encontramos tempo para orar, por menor que ele seja, será que não estamos escravos de nós mesmos, de nosso tempo? Será que realmente descobrimos o significado de Deus em nossa vida? Será que Ele é o Senhor de nossa vida, de nossa história? Será que somos livres (somente Deus nos torna livres).
Não por obrigação, mas, se podemos, se é possível encontrarmos o Senhor diariamente na Eucaristia, na Santa Missa, por que não usufruirmos disso? Não que seja obrigatória a missa diária, mas, se ela é possível, por que não usufruímos dessa oportunidade que temos e que Deus nos dá?
Jesus participava do culto litúrgico de seu povo. Quando celebrou a Santa Ceia, passou a dar outro sentido a esse culto. No pão eucarístico, é Ele mesmo que se dá pessoalmente em sacrifício.
Jesus é quem nos dá o sentido verdadeiro de sua morte. A morte de Cristo é oferta a Deus. Um sacrifício oferecido a Deus. Que nos é dado, para que possamos oferecer continuamente no sacrifício da Santa Missa. A nova Liturgia Eucarística é a nova e eterna aliança.
Jesus muitas vezes orava solitário: à noite, no deserto, na montanha. Jesus se retirava para orar ao Pai. Ele, como ser humano, tinha sua vida de oração pessoal, em diálogo e colóquio na solidão. Jesus gostava de orar ao Pai. Antes de cada momento importante na vida de Jesus, Ele orava em íntimo diálogo com o Pai.
Podemos orar com as palavras de Jesus. Oramos nEle, com Ele, por Ele. Ele nos ensina a orar. Ele se deu a nós. Os interesses dEle deveriam ser os nossos, assim como nossos interesses (quando bons e sadios à nossa alma) são dEle. Devemos ter os mesmos sentimentos de Cristo (São Paulo). Se convivêssemos mais com Cristo, certamente nos tornaríamos muito parecidos com Ele, até chegar o ponto de “sermos confundidos” com o próprio Cristo.
Isso não é perda de identidade. Passaríamos a ser o melhor de nós mesmo ao estilo de Jesus. Jesus viveria em nós, sem deixarmos de ser nós mesmos.
Nossas peculiaridades permaneceriam, mas, mesmo assim, seríamos transformados nEle. Jesus viveria a nossa vida em nós, Ele do nosso jeito e nós do jeito de Jesus.
Jesus, como judeu, era leigo. Não pertencia à casta sacerdotal (os levitas). Mas, mesmo assim, o Espírito Santo nos revela que Ele é o verdadeiro e eterno sacerdote. Ele é o sacerdote, o altar e a vítima verdadeiros. Ele se fez tudo.
Sofrer sozinho, é apenas sofrimento e dor. Sofrer unido a Cristo, aí esse sofrimento adquire um novo valor: nosso sofrimento é unido ao de Cristo e passa a participar dos méritos infinitos de Cristo.
O importante não é grandeza da obra, mas, a grandeza do amor. Tudo que fizermos, se unirmos a Deus, passa a ter um valor imenso, pois, está banhado pelos méritos de Cristo, que são infinitos!
Nossa oração, mesmo que a gente não veja, mesmo que não saibamos, ela tem grande valor, pois, para quem ama e caminha na oração, Deus se faz presente, sensível, palpável.

Momento de deserto para meditarmos sobre essa presença misteriosa de Deus em nossa vida e se nós correspondemos a essa presença...



16 de setembro de 2012, 24º Domingo do Tempo Comum.

3.    ESTUDO DO TERCEIRO TEXTO:

Recebendo o Corpo e Sangue de Cristo, devemos desejar que nossa natureza seja transformada nEle.
Nossa natureza decaída quer e busca muitas vezes à sua própria satisfação, ocupar o lugar de Deus.
O que Adão e Eva desejaram ser por si mesmo: serem “deuses”, nós poderemos alcançá-lo, não por mérito nosso, mas, quando nos unimos a Deus em nossa vida interior. Isso disse o nosso pai São João da Cruz.
O amor é doação. O amor é dar-se a si mesmo. É entregar-se. Jesus ensinou isso pela palavra e pelo exemplo. O mistério da cruz é este mistério de amor eterno revelado na história humana. Jesus entregou tudo, se doou totalmente. O que Deus já vivia desde toda a eternidade no seio da Trindade, Jesus revelou ao mundo.
A nossa oração (a do Carmelo) tem uma característica na Igreja: a oração silenciosa, a oração íntima, no silêncio do encontro com Deus.  Não somos beneditinos, ou franciscanos ou dominicanos. Temos nosso próprio jeito de ser. Não significa que somos melhores ou maiores que essas outras Ordens ou Institutos, somos diferentes. Na Igreja somos identificados com a nossa personalidade de sermos orantes no silêncio.
Nossa natureza decaída tem a tendência de nos autovalorizarmos, de desviar o foco de Deus. Ele é o centro de tudo. Ele deve ser o centro de nosso louvor, de nossa oração, de nossa meditação e de nossa contemplação.
A Palavra (o próprio Filho), no dizer de nosso pai são João da Cruz, foi dita uma vez pela Pessoa no Pai no silêncio da eternidade. Como pode a Palavra ser dita no silêncio? Parece não ter lógica. Essa Palavra “dita” é o próprio Filho, que existe no seio da Trindade desde toda a eternidade. Quando veio ao mundo, Ele nos falou.
O silêncio na oração “gesta” Deus em nosso coração. Deus mesmo, no silêncio, é “gerado” em nosso interior. À medida que silenciamos, Ele cresce e se desenvolve em nós.
Tudo é dom de Deus. O gosto ou gozo na oração é dom de Deus. Se Ele nos dá, é para nos “cativar”, porém, Ele pode também nos tirar, não para sofrermos, mas, para crescermos na fé, na perseverança e em seu amor.
A Virgem Maria é modelo dos orantes no silêncio. Deus se manifestou em sua vida no silêncio. No silêncio ela concebeu o Verbo divino em seu seio, acontecendo a Encarnação. No silêncio da oração, o Espírito Santo vem e faz a Igreja nascer.
São Paulo, também, no silêncio da oração ele se preparou para descobrir a resposta para o que buscava: “Senhor, que queres que eu faça”? No silêncio da oração, São Pedro se preparou para acolher sua missão de evangelizar os gentios.
Vários santos e santas, antes de grandes decisões, antes de fundações, antes de grandes realizações na Igreja (santa Brígida, santa Catarina de Sena, santa Teresa, santo Inácio, etc.), passaram por momentos de muita oração silenciosa, para que pudessem conhecer qual era a vontade de Deus e encontraram força para executar essa vontade em suas vidas e na história da Igreja.
Porém, todas essas realizações foram feitas na humildade, no reconhecimento de nosso nada perante Deus. Deus é quem realiza tudo. Deus é quem dá a graça, a força, a sabedoria, a coragem e a perseverança. Quem somos nós perante Ele?
Temos que morrer a cada dia perante o Senhor, reconhecendo que Ele é que é a vida, Ele é o Senhor de nossa vida e de nossa história. Tudo devemos a Ele.

Seguiu-se um momento de deserto, de oração pessoal com Jesus.

Momento de partilha (frases partilhadas pelos irmãos):

ü A oração é como um adubo, que alimenta e fortalece a “árvore” da Igreja.
ü É importante sempre mais buscarmos o diálogo com Deus, para o bem de nossas almas e o da Igreja. Estamos realmente vivendo pelo bem da Igreja?
ü Jamais nos deixemos perturbar pelas ocupações, tribulações e vicissitudes da vida. Mesmo em nossos trabalhos diários, não podemos perder o foco de centrarmos a nossa vida em Deus.
ü O objetivo de nossa vida carmelita é a contemplação. Temos que partilhar esse dom de nossa Ordem com o mundo inteiro.
ü Devemos nos esforçar e sermos humildes, sabendo que tudo nos vem de Deus. Não deixemos nos levar pela vaidade ou pelo orgulho.
ü Nós carmelitas não devemos nos envaidecer com os elogios. Nossa vida é serviço, é entrega. O que fazemos pelo bem da Igreja é para o bem da Igreja, não para alimentar a nossa própria vaidade.
ü O silêncio interior é o caminho mais perfeito.
ü A vida de oração silenciosa gera Deus em nosso interior e no mundo. Deus é “gestado” no coração do orante, em sua vida de oração silenciosa. Este Deus gerado deve ser dado ao mundo, à Igreja.
ü O mundo e a Igreja esperam muito de nós carmelitas. Somos vocacionados a “sustentar” o mundo com nossas preces, pedir a Deus a cura de suas misérias: injustiças, violência, guerras, egoísmo, indiferentismo, materialismo e secularismo.
ü Temos que organizar a nossa vida para que nela ocorram momentos de oração pessoal com Deus.
ü Mesmo em meio às nossas ocupações de seculares, temos que ter um momento de encontro pessoal com Deus.
ü É o próprio Senhor quem nos enche, quem nos anima a sermos consagrados a Ele, visto que Ele mesmo é consagrado e dedicado a nós.
ü Nossa oração abre uma porta para o infinito, para o eterno.


Obrigado, Jesus, obrigado Maria, pela presença contínua e consoladora em nosso retiro anual. Sejam louvados vossos santíssimos Nomes e o amor misericordioso que tendes por cada um de nós!
Seja louvado também o Santíssimo Espírito de Deus, que inspirou aos nossos irmãos e irmãs de Comunidade a tão bem extrairem e expressarem os pensamentos essenciais dos textos estudados e facilitados por nosso Delegado Provincial para a OCDS, Frei Wilson Gomes. Amém! 
Reportado por:
Giovani Carvalho Mendes, ocds