quinta-feira, 9 de junho de 2011

A fim de que o amor que Me tiveste esteja neles e Eu esteja neles também!


Comentário ao Evangelho do dia feito por :
São João Cassiano (c. 360-435), fundador de mosteiro em Marselha
Conferências, n.° 10, 6-7; PL 49, 827
O Salvador dirigiu a Seu Pai esta prece por intenção dos Seus discípulos: «que o amor que Me tiveste esteja neles e Eu esteja neles também»; e ainda: «que todos sejam um só; como Tu, Pai estás em Mim e Eu em Ti, que também eles sejam um em nós.» Esta prece há-de realizar-se plenamente em nós quando aquele perfeitíssimo amor com que Ele nos amou (1Jo 4,10) passar a ser o próprio movimento do nosso coração, em cumprimento desta prece do Senhor [...].
Isto acontecerá quando todo o nosso amor, todo o nosso desejo, esforço, procura, pensamento, tudo aquilo que vivemos e de que falamos, tudo o que respiramos, outra coisa não for a não ser Deus, unicamente: quando assimilarmos, na alma e no coração, a unidade presente do Pai com o Filho e do Filho com o Pai – isto é, quando, imitando finalmente a verdadeira caridade, pura e indestrutível, com que Ele nos ama, a Ele nos unirmos também por uma caridade contínua e inalterável, e a Ele estivermos tão ligados que a nossa própria respiração, pensamento, linguagem mais não sejam que Ele e só Ele. Alcançaremos assim, por fim, [...] o que o Senhor na Sua prece desejava ver cumprir-se em nós: «que sejam um, como Nós somos Um. Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade» e «Pai, quero que onde Eu estiver estejam também comigo aqueles que Tu me confiaste».
A isto está destinado aquele que na solidão ora, a isto deve levar todo o seu esforço: à graça de possuir, já desde esta vida, a imagem da futura bem-aventurança, como uma antecipação, no seu corpo mortal, da vida e da glória do céu.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Oração de Santa Madre Teresa de Jesus - 62


"Ó Imperador nosso, sumo Poder, suma Bondade, a própria Sabedoria, sem princípio, sem fim, sem limites em Vossas obras: são infinitas, incompreensíveis, um poço sem fundo de maravilhas, uma formosura que traz em si todas as formosuras, a própria Fortaleza! Oh, valha-me Deus! Quisera ter aqui toda a eloqüência e sabedoria dos mortais, para bem saber — como aqui se pode saber, porque tudo é não saber nada, neste caso — explicar alguma das muitas coisas que podemos considerar para conhecer um pouco quem é esse Senhor e Bem nosso!"(C 22,6)

Para serem um só, como Nós somos!



Comentário ao Evangelho do dia feito por :
São Máximo, o Confessor (c. 580-662), monge e teólogo
Mistagogia, 1
A Igreja possui a marca e a imagem de Deus porque tem a mesma atividade que Ele. [...] Deus trouxe todas as coisas à existência por meio do Seu poder infinito, e contém-nas, reúne-as e circunscreve-as. Ele liga fortemente todos os seres, uns aos outros e a Si próprio, na Sua Providência. [...]
A Santa Igreja manifestará para conosco os mesmos efeitos que Deus, de Quem é imagem. Numerosos, quase inumeráveis, são os homens, as mulheres, as crianças, distintos uns dos outros, infinitamente diferentes por nascimento, traços, nacionalidade e língua, gênero de vida e idade, aptidões, costumes, hábitos, conhecimento, fortuna, carácter e relações. Mas todos nascem nesta Igreja e, pela sua obra, todos renascem para uma vida nova, recriados pelo Espírito Santo.
A todos, a Igreja deu [...] uma só forma, um só nome divino: ser de Cristo e ter o Seu nome. Ela dá também a todos uma maneira de ser única, que não permite distinguir as numerosas diferenças que existem entre eles [...], devido à reunião de tudo nela. É por eles, seus membros, que absolutamente ninguém fica separado da comunidade, uma vez que todos convergem uns para os outros, todos estão ligados pela ação do poder indivisível da graça e da fé. Está escrito que todos têm «um só coração e uma só alma» (Act 4,32) [...]; ser um só Corpo formado por membros tão diversos é realmente digno do próprio Cristo, que é a nossa verdadeira Cabeça (cf. Cl 1,18). O apóstolo Paulo diz: «N'Ele não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem e mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus» (Gl 3,28). [...] É assim, pois, que a Santa Igreja é feita à imagem de Deus, uma vez que realiza entre os crentes a mesma união que Deus realiza entre eles.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Oração de Santa Madre Teresa de Jesus - 61


"Pois o que é isto, Senhor meu? O que é isto, meu Imperador? Como é possível suportar semelhante coisa? Sois rei, Deus meu, para sempre, e não é emprestado o reino que tendes. Quando se diz no credo: Vosso reino não terá fim, quase sempre me alegro de maneira especial. Louvo-Vos, Senhor, e bendigo-Vos para sempre. Pois nunca permitais, Senhor, que se tenha por bom que, indo falar Convosco, o faça apenas com a boca."(C 22,1)

Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro.


Comentário ao Evangelho do dia feito por :
São Justino (c. 100-160), filósofo e mártir
Diálogo com Trifão, 2-4,7-8; PG 6, 478-482,491
A minha alma estava impaciente por aprender aquilo que é o princípio e a essência da filosofia. [...] A inteligência das coisas incorpóreas cativava-me inteiramente; a contemplação das ideias dava asas ao meu pensamento. Imaginei-me sábio em pouco tempo e até fui suficientemente tolo para esperar ver a Deus de imediato, pois tal é o objetivo da filosofia de Platão. Nesse estado de espírito, [...] dirigi-me a um sítio isolado junto ao mar, onde esperava ficar só, quando um velhinho começou a seguir-me. [...]
─ O que te trouxe aqui? ─ perguntou-me.
─ Gosto deste gênero de caminhadas [...], são muito favoráveis à meditação filosófica. [...]
─ A filosofia traz, portanto, a felicidade? ─ quis ele saber.
─ Certamente ─ respondi ─, e apenas ela. [...]
─ Então a que é que tu chamas Deus?
─ Deus é Aquele que é sempre idêntico a Si próprio e dá o ser a tudo o resto.
─ E como é que os filósofos podem ter uma idéia concreta de Deus, se não O conhecem, visto que nunca O viram, nem escutaram?
─ Mas ─ respondi ─, a divindade não é visível aos nossos olhos como o são os outros seres; não é acessível senão à inteligência, como diz Platão; e eu concordo com ele. [...]
─ Houve, já há muito tempo ─ disse o velho ─, homens anteriores a todos esses pretensos filósofos, homens felizes, justos e amigos de Deus. Falavam inspirados pelo Espírito de Deus e prediziam um futuro agora realizado: chamamos-lhes profetas. Só eles viram a verdade e a anunciaram aos homens. [...] Os que os lêem podem, se tiverem fé neles, tirar grande proveito dessa leitura. [...] Eles eram testemunhas fiéis da verdade. [...] Glorificaram o criador do universo, Deus e Pai, e anunciaram Aquele que Ele enviou, Cristo, Seu Filho. [...] E tu, antes de mais, reza para que as portas da luz te sejam abertas, pois ninguém pode ver nem entender, se Deus ou o Seu Cristo não lhe derem o dom de compreender. [...]
Nunca mais o vi mas, subitamente, acendeu-se um fogo na minha alma; fiquei cheio de amor pelos profetas, por esses homens que são amigos de Cristo. Refletindo nas palavras do ancião, reconheci que essa era a única filosofia segura e proveitosa.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Anunciei-vos estas coisas para que, em Mim, tenhais a paz!


Comentário ao Evangelho do dia feito por :
São Columbano (563-615), monge, fundador de mosteiros
«Deixo-vos a paz, deixo-vos a Minha paz» (Jo 14,27). Mas de que nos serve saber que esta paz é boa, se não cuidamos dela? O que é muito bom é, habitualmente, frágil; e os bens preciosos reclamam maiores cuidados e uma proteção mais atenta. Muito frágil é a paz, que pode ser perdida por uma palavra ligeira ou uma ferida mínima feita a um irmão.
Ora, nada agrada mais aos homens do que falarem fora de propósito e ocuparem-se com o que não lhes diz respeito, proferirem discursos vãos e criticarem os ausentes. Portanto, que os que não podem dizer: «Deus meu Senhor deu-me língua de discípulo para que eu saiba dizer ao abatido uma palavra de alento» (Is 50,4) se calem; se disserem uma palavra, que seja uma palavra de paz. [...] «A caridade é o pleno cumprimento da Lei» (Rom 13,10); que o nosso bom Senhor e Salvador Jesus Cristo, o autor da paz e o Deus do amor, Se digne inspirar-nos.

domingo, 5 de junho de 2011

VERDADE, ANÚNCIO E AUTENTICIDADE DA VIDA NA ERA DIGITAL.


O tema escolhido por Bento XVI para o 45º Dia Mundial das Comunicações - "Verdade, anúncio e autenticidade da vida na era digital" -, conforme sua mensagem divulgada pelo Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais no dia 24 de janeiro, na festa de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas, "a comunicação deve ser entendida e centrada na pessoa humana que está no coração de todos os processos comunicativos". "Mesmo em uma era que é amplamente dominada e, por vezes, condicionada pelas novas tecnologias, o valor do testemunho pessoal continua a ser essencial".
Na mensagem pontifícia, Bento XVI pede também que haja critérios baseados na verdade, principalmente de parte dos jornalistas cristãos. "Para abordar a verdade e assumir a tarefa de compartilhar, isso exige a `garantia' de uma autenticidade de vida daqueles que trabalham na mídia e, especialmente dos jornalistas católicos, uma autenticidade de vida que não é menos necessária na era digital", afirma o Santo Padre.
"Quero convidar os cristãos a unirem-se confiadamente e com criatividade consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível. E não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana", afirma ainda, por outro lado, Bento XVI na Mensagem. "Os crentes, testemunhando as suas convicções mais profundas, prestam uma preciosa contribuição para que a web não se torne um instrumento que reduza as pessoas a categorias, que procure manipulá-las emotivamente ou que permita aos poderosos monopolizar a opinião alheia", indica também o Santo Padre. "Pelo contrário - continua -, os crentes encorajam todos a manterem vivas as eternas questões do homem, que testemunham o seu desejo de transcendência e o anseio por formas de vida autêntica, digna de ser vivida".



HOJE ENTREGUEI A EQUIPE DE COMUNICAÇÃO DE NOSSA COMUNIDADE RAINHA DO CARMELO, NA SANTA MISSA. QUE NOSSO SENHOR NOS ABENÇOE E NOS FAÇA SEMPRE VERDADEIROS E FIÉIS AO EVANGELHO, COMPROMETIDOS COM A ORDEM DO CARMELO.

Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos!


Comentário ao Evangelho do dia feito por :
Beato John Henry Newman, presbítero, fundador de comunidade religiosa, teólogo
PPS, vol.6, n.º10
O regresso de Cristo a Seu Pai é ao mesmo tempo fonte de pesar, por ser sinônimo da Sua ausência, e fonte de alegria, por significar a Sua presença. Brotam da doutrina da Ressurreição e da Ascensão estes paradoxos cristãos, mencionados com frequência nas Escrituras, a saber, que nos afligimos sem por isso pararmos de rejubilar, como «nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2Cor 6,10).
Na verdade, é esta a nossa condição presente: perdemos a Cristo, e encontramo-Lo; não O vemos e, apesar disso, podemos discerni-Lo; estreitamos-Lhe os pés (Mt 28,9) e Ele diz-nos «Não Me detenhas» (Jo 20,17). Mas como? Acontece que, tendo perdido a percepção sensível e consciente da Sua pessoa, já não nos é possível vê-Lo, ouvi-Lo, falar-Lhe, segui-Lo de terra em terra; no entanto, usufruimos espiritual, imaterial, interior, mental e realmente da Sua visão e da Sua posse, uma posse envolvida por maior realidade e por maior presença do que alguma vez na vida tiveram os Apóstolos, precisamente por ser espiritual e invisível.
Todos nós sabemos que, neste mundo, quanto mais um objecto está perto de nós, tanto menos conseguimos dele aperceber-nos e compreendê-lo. Cristo veio até tão perto de nós, na Igreja, que não somos sequer capazes de O fixar com o olhar, ou até de O distinguir; apesar disso, Ele instala-Se em nós e assim toma posse da herança por Ele adquirida; não Se nos apresenta, e todavia atrai-nos a Si e faz de nós Seus correligionários. [...] Não O vemos sequer, mas no entanto, pela fé, sentimos a Sua presença porque Ele está ao mesmo tempo acima de nós e em nós. Por conseguinte, sentimos pesar, porque não temos consciência dessa presença, e ao mesmo tempo alegria, porque sabemos a Quem possuímos: «Sem O terdes visto, vós O amais; sem o ver ainda, credes n'Ele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das [vossas] almas» (1Pe 1,8-9).

sábado, 4 de junho de 2011

Parabéns Juliana!


JULIANA DA SAGRADA EUCARISTIA, OCDS



Parabéns pelo dom da sua vida, que a alegria do Senhor seja a sua força, e que Jesus Eucarístico seja o farol que lhe aponta o caminho a seguir. Nossa Mãe Maria Santíssima lhe conduza sempre.



Com amor e orações,

Comunidade Rainha do Carmelo.

04/06/11

Se pedirdes alguma coisa ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo dará!


Comentário ao Evangelho do dia feito por :
São João-Maria Vianney (1786-1859), presbítero, cura em Ars
Catecismo sobre a oração
Meus filhos, vós tendes um coração pequeno, mas a oração torna-o maior e capaz de amar a Deus. A oração é um antegosto do céu, um escoamento do paraíso, que nunca nos deixa sem doçura. É um mel que desce sobre a alma e tudo adoça. As mágoas fundem-se perante uma oração bem feita, como a neve perante o sol. A oração faz passar o tempo com grande rapidez, e tão agradavelmente que não nos apercebemos da sua duração. [...]
Vemos alguns que se perdem na oração como peixe na água, porque estão completamente embrenhados em Deus. No coração destes, não há mediadores. Ah, como eu gosto destas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Collette viam o Senhor e falavam com Ele como nós falamos uns com os outros. Enquanto nós, quantas vezes vimos à igreja sem saber o que vimos fazer e o que queremos pedir! E no entanto, quando vamos a casa de alguém, sabemos bem porque lá vamos. Há os que parecem dizer a Deus: «Vou dizer-Vos duas palavras para me livrar de Vós». Penso muitas vezes que, quando vimos adorar Nosso Senhor, obteríamos tudo o que quiséssemos se Lho pedíssemos com uma fé bem viva e um coração bem puro.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Parabéns Helton!

HELTON MELO MENDES,


Parabéns pelo dom da sua vida, Deus lhe abençoe e lhe envie o Espírito Santo em sua caminhada como Carmelita Secular, para lhe conduzir até o Céu, nossa meta. Nossa Mãe Maria Santíssima lhe conduza sempre!


Com amor e orações,
Comunidade Rainha do Carmelo.
03/06/2011

Também vós vos sentis agora tristes, mas Eu hei de ver-vos de novo! Ninguém vos poderá tirar a vossa alegria!


Comentário ao Evangelho do dia feito por :
São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia, depois Bispo de Constantinopla, Doutor da Igreja
Homilia 1 sobre a Primeira Carta aos Tessalonicenses
Fizestes-vos imitadores do Senhor», diz Paulo. Como? «Recebendo a Palavra no meio de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo» (1Tes 1,6). Não foi somente nas tribulações, foi no meio de tribulações, no meio de sofrimentos sem fim. Podeis constatá-lo nos Atos dos Apóstolos, onde vemos como se acicatou a perseguição contra eles, como os seus inimigos os denunciaram aos magistrados e sublevaram a cidade. Eles sofreram tribulações, e não se pode dizer que tenham permanecido fiéis com pena, gemendo – não, foram-no com grande alegria, pois os apóstolos tinham-lhes dado o exemplo: «cheios de alegria por terem sido considerados dignos de sofrer vexames por causa do nome de Jesus» (At 5,41).
É isto que é verdadeiramente admirável! Já é muito sofrer tribulações com paciência; mas alegrar-se com elas é mostrar que se é superior à natureza humana e que já se tem, por assim dizer, um corpo impassível. Mas como é que eles foram imitadores de Cristo? Pelo fato de também Ele ter sofrido sem soltar uma queixa, com alegria, porque era de Sua vontade que Se encontrava em semelhantes tribulações. Foi por nós que Ele Se humilhou, adiantando-Se aos escarros, às bofetadas, à própria cruz; e alegrando-Se de tal maneira, que chamava a tudo isso a Sua glória: Pai, dizia, glorifica-Me (Jo 17,5).

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Parabéns Fátima!



MARIA DE FÁTIMA NASCIMENTO DE CASTRO,



Parabéns pelo dom da sua vida, Deus lhe abençoe abundantemente em sua caminhada como carmelita secular. Nossa Mãe Maria Santíssima lhe conduza sempre.



Com amor e orações,


Comunidade Rainha do Carmelo.

Parabéns Mônica!!


MÔNICA MARIA DE JESUS CRUSCIFICADO, OCDS



Desejamos muito amor, paz e saúde para você, e que sempre esteja com os olhos fixos em Jesus, nosso Mestre e Amado de nossa alma. Nossa Mãe Maria Santíssima lhe conduza sempre!!



Com amor e orações,


Comunidade Rainha do Carmelo.

A tristeza que gera a alegria.


Comentário ao Evangelho do dia feito por :
São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilia 79 sobre São João
Depois de ter derramado a alegria na alma dos Seus discípulos pela promessa que lhes fez de lhes enviar o Espírito Santo, o Salvador entristece-os de novo ao dizer: «Ainda um pouco, e deixareis de Me ver». Age desta forma para os preparar, através desta linguagem triste e severa, para a ideia da Sua próxima separação; porque nada é mais próprio para acalmar a alma mergulhada na tristeza e na aflição, do que o pensamento frequente dos motivos que produziram nela essa tristeza.
Eles não compreendiam, quer por causa da tristeza que os impedia de pensar no que Ele lhes dizia, quer por causa da obscuridade das próprias palavras, que pareciam conter duas coisas contraditórias, mas que, na realidade não o eram. Pois se Te vemos, podiam eles dizer, como Te vais embora? E, se Te vais embora, como Te poderemos ver?
Nosso Senhor, querendo depois mostrar-lhes que a tristeza gera alegria e, ainda, que aquela tristeza seria curta ao passo que a sua alegria não terá fim, toma a comparação da mulher que dá à luz. Com tal comparação, Ele quer também exprimir, de um modo figurado, que Se libertou dos constrangimentos da morte e que, assim, regenerou o homem novo. E não diz que não haverá tribulação mas que não Se lembrarão dela, tão grande vai ser a alegria que lhe sucederá.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa.


Comentário ao Evangelho do dia feito por :
São Gregório de Nazianzo (330-390), bispo, doutor da Igreja
Discursó 31, 5A teológica, 25-27; PG 36, 159
Ao longo dos tempos, duas grandes revoluções abalaram a terra; são elas os dois Testamentos, designamo-las assim. Com uma, os homens passaram da idolatria à Lei; com a outra, passaram os homens da Lei ao Evangelho. Um terceiro acontecimento estava predito: aquele que, aqui em baixo, nos há-de fazer subir às alturas, onde já não haverá movimento nem agitação. Ora aqueles dois Testamentos apresentaram o mesmo carácter [...]: não transformaram tudo de forma repentina, desde o primeiro impulso do seu movimento [...]. Tal assim foi para não nos violentar, mas para nos persuadir. Porque o que é imposto pela força não perdura no tempo [...].
O Antigo Testamento manifestou o Pai de forma clara, de forma obscura o Filho. O Novo Testamento revelou o Filho e insinuou a divindade do Espírito. Hoje o Espírito vive entre nós, e dá-Se a conhecer mais claramente. Teria sido arriscado, num tempo em que a divindade do Pai não estava ainda reconhecida, pregar abertamente o Filho, e enquanto a divindade do Filho não estivesse admitida, impor [...] o Santo Espírito. Temer-se-ia que, tal como quem traz o estômago demasiado cheio ou como quem, com olhos ainda fracos, fixa de frente o sol, os crentes se arriscassem a perder aquilo que conseguiriam aguentar, aquilo para que teriam forças. O esplendor da Trindade devia portanto resplandecer por sucessivos desenvolvimentos ou, como diz Davi, por graduais peregrinações (Sl 83,6) e por uma progressão de glória em glória [...].
Acrescentarei ainda esta consideração: o Salvador sabia certas coisas que estimava não poderem estar ao alcance dos discípulos, apesar de todos os ensinamentos que estes já tinham recebido. Pelas razões acima ditas, Ele mantinha essas coisas guardadas. E repetia-lhes que o Espírito, quando viesse, tudo haveria de lhes ensinar.