domingo, 7 de março de 2010

VIDA COMUNITÁRIA


“Um só coração e uma só alma!”



“A multidão dos fiéis que haviam crido em Jesus era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum”. (Atos 4,32)

Não somos nós a herança dos Apóstolos, a mesma multidão dos fiéis que acreditaram em Jesus como nos diz o evangelista e médico Lucas ao escrever o Ato dos Apóstolos? Se somos esse povo e essa Igreja por que não mais vivemos em um só coração e em uma só alma? Por que essa realidade não existe em nossa comunidade ou pastoral? E se existe por que não é tão forte a ponto de ser nossa identidade característica? São questionamentos tão profundos de nós mesmos quanto nossa profunda intimidade interior.

O Ato dos Apóstolos foi escrito por Lucas, o mesmo que escreveu um dos evangelhos, entre o ano 65 e 70 d.C e tem por conteúdo primordial narrar as situações vividas pelos primeiros cristãos e as Igrejas nascentes, cristãos esses que proviam de vários lugares diferentes e falavam cada um sua própria língua (Atos 2,1-11) e que apesar de todas essas dificuldades, e justificáveis, viviam numa unidade e vida comunitária tão perfeita a ponto de terem um só coração e uma só alma. E nós, por que ainda não vivemos esta virtude se somos tão próximos, vizinhos, falando a mesma língua, somos de uma mesma paróquia e buscamos o mesmo objetivo? Por que, às vezes, fazemos questão de ser diferentes das primeiras comunidades cristãs? É claro e visível que vários fatores implicam sobre nossas comunidades, porém ainda comungamos da mesma fé e doutrina; em meio ao mundo atual somos o mesmo Corpo Imaculado e Místico de Cristo.

Como ser Igreja se não somos um Corpo, como ser um Corpo se nossos membros não vivem em harmonia uns com os outros, como ser uma comunidade se não nos amamos, como nos amar se não nos conhecemos, como nos conhecer se não temos encontros para, exclusivamente, esse fim, como nos encontrar se não tomamos iniciativa? Tudo isso é importante, mas lembremos que é em Deus, pela oração, que nos encontramos plenamente, quando todos nós estivermos unidos pela oração então nossa união será perfeita e inseparável.

Duas colunas sustentam qualquer comunidade eclesiástica: a UNIÃO e o AMOR. Toda comunidade para que tenha fecundidade em seus trabalhos evangelizadores precisa viver COM/UNIDADE (daí o nome “COMUNIDADE”) entre os seus membros, todos devem ter os mesmos interesses em conquistar os mesmo objetivos. Lutar juntos, rezar juntos, sofrer juntos, vencer juntos, enfim, serem todos um só coração e uma só alma a exemplo dos primeiros cristãos a quem tudo entre eles era comum, principalmente o que possuíam de material.

Como viver, queridos irmãos, uma unidade tão perfeita como essa?! “A união faz a força!” ou como diz Padre Léo: “A união faz açúcar!”, portanto, que tamanho tem a nossa força, força firme de caminhar, de perseverar e ser fiel? Em primeiro lugar devemos perguntar como está a nossa unidade, pois a força não é senão conseqüência da unidade.

A Igreja de Jesus é comparada com um Corpo (I Cor 12,12-30), este não é formado por um só membro senão por inumeráveis e cada órgão fazendo a sua própria função em UNIDADE harmoniosa com os demais faz com que o Corpo, por ele composto, viva saudável. Que aconteceria com o Corpo se seus órgãos funcionassem como se não necessitassem dos outros? Como seria um corpo se seus membros não trabalhassem unidos, mas visando o seu próprio interesse individualista? Não somos nós membros vivos de um Vivo e Místico Corpo que é a Igreja? Façamos com que esse Corpo viva saudável e por muitos anos, para que isso aconteça devemos nos unir. A Igreja só é Igreja hoje, depois de 1975 anos de caminhada, porque sempre viveu em um só coração e em uma só alma, ou seja, na união pelo mistério da Comunhão dos Santos que professamos no Credo Católico. A união não só faz força ou açúcar como faz com que seja eterno e inabalável o alicerce de uma Igreja e é dessa Igreja que somos membros, de uma Comunidade Cristã fundada sobre PEDRA FIRME, cujas colunas são os Apóstolos, o chão regado com sangue dos mártires, ornada de pedras preciosas (Santos e Doutores), protegida pelos Santos Anjos e por Maria sua mãe, alimentada pela Eucaristia que é o próprio e vivo Corpo de Jesus Imolado na Santa Missa, banhada com o sangue Redentor do Cordeiro e marcada pelo selo eterno da UNIDADE.

A segunda e grande coluna que juntamente com os apóstolos sustenta a Igreja é o AMOR. “Eis o que Ele nos pede: o AMOR que não olha mais para si, porém, deixando-se a si mesmo, eleva-se acima dos sentimentos e das impressões, o AMOR que se dá, se sacrifica, o AMOR que estabelece a UNIDADE.” (Beata Elisabete da Trindade). O Amor resume os mandamentos: “Eis que Eu vos dou um novo mandamento, amai uns aos outros como a vós mesmos”, disse Jesus (Jo 15,12), o amor impulsiona Jesus a descer do Pai, passar pela humilhação do ser homem e depois de morrer ignominiosamente no madeiro da cruz no trágico evento do Calvário (Jo 3,16). O amor é o próprio DEUS (I Jo 4,8).

O amor e a união são laços sagrados que devem sempre estar entrelaçados. Deus é um só, porém, Nele se encontra Três Pessoas Divinas, a unidade caracteriza Deus e Deus é Amor. Imaginem se Deus não fosse unido, não havia um só Deus e Este não seria Santo, portanto não seria bem e, por sua vez, não seria amor. Se Deus não fosse amor não seria Ele mesmo, negaria a Si próprio, pois o Pai é o que ama, o Filho é o amado e o Espírito é o amor que os une. Deus é união, Deus é amor.


Jesus antes de sofrer a Paixão disse a seus discípulos: “Amai-vos uns aos outros, pois se amar-vos uns aos outros todos saberão que sois meus discípulos” (Jo 15,14). O Amor mútuo e fraterno é a característica do discípulo do Senhor, aquele que tem problema para amar o seu irmão não pode ter com ele uma saudável convivência fraterna. O Amor faz com que as almas se fundam e se tornem uma só, um só coração e uma só alma. O Amor nos faz ser Igreja, pois nos une plenamente numa fraternidade sobrenatural, numa comunidade espiritual e divina. “Não se pode amar a Deus que não se vê se não se ama o irmão que se vê” (I Jo 4,20). Palavras sábias e cheias de unção são essas de João. O Amor de Deus nos atrai fazendo-nos corresponder com atos de amor, porém é amando o próximo que provamos a Deus que O amamos. É realmente impossível dizermos que amamos a Deus que não vemos se não somos capazes de amar o próximo que muitas vezes está bem próximo de nós, nas nossas casas.

Por fim, vivamos a união e o amor para que estes sejam tão nossos que nos identifiquem como Comunidade Católica. Que a Santíssima Virgem tão unida a Deus e os seus mandamentos soube acolher em si a Palavra Encarnada sustentando com amor o seu faça-se nos momentos mais difíceis nos ensine a vivermos pela unidade e pelo amor mútuo a fim de chegarmos a ter UM SÓ CORAÇÃO E UMA SÓ ALMA como as primeiras comunidades cristãs. Que ela nos faça santos assim como Deus é Santo (Lv 11,14; IPd 1,15) para trabalharmos dignamente no Reino de Seu Filho Jesus.

“Estando intimamente penetrada pela Palavra de Deus, Maria pôde chegar a ser Mãe da Palavra Encarnada” (Documento de Aparecida 271)

Com amor fraterno,

“O Anjo de vossa guarda!”

ARTUR VIANA DO NASCIMENTO NETO, ocds
Comunidade Rainha do Carmelo

Conversa com São José

HORA SANTA COM SÃO JOSÉ


Salve, querido São José, Pai Nutrício de Jesus e Esposo da Virgem Maria, nosso pai e Patrono da Igreja Católica!
Agora que volto o pensamento para ti, fico a imaginar como tu eras, querido pai. Não te vejo como um “velho”, como muitas vezes és pintado pelos artistas. Vejo-te um homem maduro, saudável, forte, de bela compleição física, talhado pelo trabalho duro e diário que praticavas. Olho também para tua alma. Quão bela, pura e santa não deveria ser tua alma, preparada pela Trindade Santíssima para tão nobre e fundamental missão: acolher, proteger, cuidar e nutrir o Filho Único do Eterno Pai, Nosso Senhor Jesus Cristo, bem como ser o companheiro, amigo e auxiliador da Virgem Puríssima no lar de Nazaré.
Penso quão santo homem, cumpridor dos deveres, pacífico, manso, modelar, bom e religioso judeu não deves ter sido para merecerdes o belo título “varão justo”, que São Mateus te deu!
Se a Santíssima Virgem, como Mãe verdadeira de Jesus, tinha que ser imaculada, tu também, como pai adotivo do Verbo Humanado, tinhas que ser um homem muito santo, visto que encabeçarias aquela casa sagrada, pedaço do Céu sobre a terra!
Além do mais, ó santo varão de Deus, tu serias o próprio representante do Eterno Pai, assumindo a figura e função de pai perante os teus parentes, amigos e diante de toda a sociedade judaica. Jesus mesmo, Filho Eterno de Deus Pai, muitas vezes foi nomeado e reconhecido como o “filho de José” ou “filho do carpinteiro”. Somente um homem como tu, completamente consagrado e dedicado a Deus, poderia ser capaz de assumir essa missão. Por isso, com toda a Igreja, creio e confesso que fostes castíssimo e virginal em toda a tua vida e convívio com tua esposa Maria, Mãe de Deus, por quem nutrias profundos sentimentos de amor puríssimo, respeito, veneração e reverência!
Ó São José, quão bela não deve ter sido tua vida, feita de muitas alegrias mas também de trabalho, lutas e dores!
Imagino o que sofrestes quando começastes a perceber que tua santíssima noiva, Maria, apresentava nítidos sinais de gravidez! O que pensar de tua amada Maria? Como julgá-la ou condená-la já que estavas plenamente convicto de sua fidelidade, pureza e virgindade consagrada? Porém, tu não eras um tolo e bem sabias como uma jovem engravida... Que dolorosa batalha não deve ter sido travada em tua alma! Qualquer um imediatamente já teria pensado o pior e apresentado Maria ao repúdio e condenação públicos! Mas não! Foste heróico, preferiste fugir, abandonar teus compromissos, jogar teu nome na lama e cair em desgraça perante os cidadãos de Nazaré do que ousar macular o bom nome e consideração de Nossa Senhora! Foste um verdadeiro herói! No auge do sofrimento, no teu “calvário” particular, Deus te envia um anjo para te consolar e te confirmar na fé. A tua Esposa Virginal esperava o Tesouro dos tesouros, o Esperado de Israel, o próprio Messias prometido!
Ó São José, como não deves ter ficado feliz! Também, quanta confusão e santo temor em tua alma! Talvez tenhas pensado: “como Deus se dignou escolher-me, pobre carpinteiro, para ser pai adotivo”? Quantas lágrimas de júbilo e amor não deves ter derramado em tuas preces e na serena contemplação de tua Esposa gestante, a Arca da Nova Aliança! Ali, diante de teus olhos, todas as Escrituras estavam se cumprindo. Ali, a esperança dos santos patriarcas e profetas! Ali, a salvação de Israel!
Os dias se passavam... Tua casa sendo preparada com amor e desvelo para a chegada do Messias bendito. Com certeza construístes com tuas próprias mãos um gracioso berço para acolher Aquele cujos Céus não podem conter: o Senhor e Rei do Universo! Porém, Deus Pai mais uma vez testa a fibra de seu santo varão: chega a Nazaré a ordem do imperador romano. Todos tem que sair de suas casas e empreender viagem para suas cidades de origem.
Qual “novo Abraão” tu não reclamas da ordem – “sai de tua terra” – e confias em Deus. Tu não exiges nada Dele, como muitas vezes fazemos em nossos problemas e dificuldades. Todos os teus planos familiares são desfeitos e preparas a brusca saída. Observas que tua Santíssima Esposa já se encontra em gravidez avançada, esperando a qualquer momento o nascimento do Salvador, porém, não murmuras. Tu vais a Belém, terra natal do rei Davi. No caminho deve ter vindo à tua memória a profecia de Miquéias: “E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo (Miquéias 5,2)”. Tua alma deve ter sossegado. Estavas em paz. Deves ter pensado: “nossos amigos e parentes certamente nos acolherão”. Ó São José, Deus já lhe preparava uma nova e dura prova! Já sabias, de acordo com as profecias de Isaías, que o Messias seria o Servo de Javé, o Servo Sofredor, porém jamais imaginarias o quanto era necessário que Jesus nascesse em total pobreza, humildade e praticamente oculto de todos! Sei que não acreditavas e nem esperavas um “messias guerreiro”, como os demais judeus, porém aquela prova era dura e humanamente incompreensível. Sim! O teu Jesus, Deus e Senhor, foi colocado numa manjedoura, em palhas, entre animais! Como deves ter feito tudo para reparar a frieza da humanidade diante da vinda de seu Remediador com atos heróicos de amor, reparação, louvor e adoração! Teu coração puríssimo estava em uníssono com o Coração Imaculado de Maria. Como teus olhos não devem ter vertido lágrimas generosas de amor e emoção contemplando o Divino Infante, o Emanuel, bem ali, diante de ti, frágil e pequeno, precisando dos teus cuidados e dos de Maria! Ó mistério da graça: naquele momento, tu e Maria eram o novo Céu de Jesus!
Fatos maravilhosos foram sucedendo-se: o canto dos anjos, a visita dos pobres e simples pastores, a adoração dos magos do oriente, a cerimônia da circuncisão no qual o Menino foi marcado na carne como membro do povo de Deus, derramando seu Sangue pela primeira vez, a cerimônia de nomeação do Menino com aquele Nome Santíssimo revelado pelo anjo na Anunciação e em teu sonho revelador, nome esse dado por ti, São José, como pai putativo de Jesus e a apresentação daquele preciosíssimo dom a Javé no templo de Jerusalém. Quantos momentos felizes, não foi São José? Estavas certamente cheio de júbilo, como bom e religioso judeu como eras por tão belos acontecimentos!
Porém, mais uma prova se aproximava... A profecia dita por Simeão a Maria Santíssima se cumpriria: a vida de Jesus começava a manifestar que seria sempre marcada pela incompreensão, não aceitação e perseguição por parte de muitos.
Estavas tranquilamente dormindo. Tudo parecia estar em paz. De repente um anjo lhe avisa em sonhos: “pegue o Menino e sua Mãe e vão para o Egito, pois Herodes procura matá-lo”! Ó querido São José, quanta dor para um coração como o teu: doce, meigo, cândido e sensível. Como não deves ter acordado “de um salto”, o coração a bater disparado com essa notícia! Quantos “porquês” não deves ter dirigido ao Senhor, não com revolta, mas como um pai zeloso com a segurança do filho Jesus.
Duro exílio! Mais uma vez a história de Israel é revivida na Pessoa de Jesus. A Sagrada Família vai para o Egito. Que se passou por lá? Que fatos lhes ocorreram em sua estada naquelas terras? Não sabemos. Os Evangelhos se calam. Talvez em sinal de silencioso respeito e penitência por essa desfeita dirigida ao Filho do Homem, à sua Mãe e pai adotivos: terem que fugir para terras estranhas para escapar da morte. Uma coisa podemos concluir pai São José: certamente continuastes a servir ao Senhor Deus com o teu trabalho, com tua oração constante, com tua paciência e com tua fé e confiança inabalável na Providência Divina. Quanta glória, quanta satisfação não proporcionastes a Deus com tua vida e comportamento exemplares! Quantos méritos, São José, quantas graças para serem derramadas no mundo por suas mãos! Estavas sempre unido a Maria no serviço do Senhor: na oração, no trabalho e na adoração contínua ao mistério do Verbo Humanado que habitava contigo sob o mesmo teto e estava sob teus cuidados de pai!
O tempo foi passando, na simplicidade de tua vida doméstica e de carpinteiro. Muitas vezes penso, São José, no quanto teu trabalho era feito com esmero. Não sei se eras um “gênio do trabalho em madeira”. Isso não me importa. O que sei é que tudo fazias em espírito de oração, colocando naquilo que fazias para sustentar e alimentar Maria e Jesus todo o teu amor e carinho. Arrisco-me até a pensar que aquelas mesas, cadeiras ou móveis que construías, quais relíquias santas que eram, já portavam consigo algo da graça de Deus como o fazem os sacramentais da Igreja. Penso que ao lado de cada objeto desses ficava de “plantão” um anjo em atitude de veneração. Tu já eras um santo, um grande santo quando estavas na terra. Além do mais, também aqueles objetos tinham sido feitos por Jesus, Nosso Senhor, o Criador do Universo, não por um ato divino de Seu poder infinito, mas como homem verdadeiro que era.
Creio também que eras um homem muito bem quisto na cidade egípcia que escolhestes para morar. Como devias ser um bom judeu, bom vizinho, um exemplar membro da comunidade, um homem que vivia perfeitamente as bem-aventuranças futuramente pregadas por Jesus. Eras um homem da paz, da mansidão, da pobreza de espírito, da pureza e da misericórdia. Quantos não deves ter tocado com o teu bom exemplo e palavras de conselho. Não fostes um rabino ou pregador de púlpitos, porém o teu olhar, o teu sorriso, tua voz certamente tocaram os corações endurecidos de muitos. De ti irradiava aquela graça da qual o teu coração estava cheio. Tuas orações feitas com Jesus e Maria, no lar sagrado, eram ungidas e chegavam cheias de gozo e méritos no seio da Trindade augustíssima. Sim, estavas unido ao teu filho Jesus em Sua missão salvífica. Será que depois, no futuro próximo, quando algum apóstolo ou discípulo de Jesus chegou para evangelizar aquele país já não encontrou doces recordações de tua passagem por lá? Sei que são especulações que jamais saberemos neste mundo, porém não impossíveis.
Bem, um belo dia, lá no Egito, mais uma vez o anjo veio falar contigo em sonhos. Perguntava-me: por que o anjo não dava seus avisos a Maria? Por que só aparecia para ti em sonhos? Consideremos a primeira pergunta. Realmente, na ordem da graça, Maria supera-te imensamente, por ser Mãe verdadeira de Deus e Rainha de tudo que foi criado por Ele. Porém, naquela casa, tu eras o chefe, o guardião, o tutor do Menino Deus. Agora compreendo bem que era para ti mesmo, glorioso São José, que todo respeito e todo assunto de ordem familiar, isto é, no que tocasse a decisões e diretrizes a serem tomadas na casa, eram de tua responsabilidade. Isso não sou eu que digo. O Céu mesmo manifestou isso claramente quando enviava um anjo em sonhos só para ti. No tocante a segunda pergunta, creio que o método de aparições “em sonhos” eram uma escolha divina. Somente cabe a Deus a explicação exata disso. Porém arrisco um palpite, se o senhor, São José me permitir.
Tu eras o homem da humildade e da vida espiritual escondida, somente conhecida pelo Senhor e por Maria. Já vivias continuamente unido a Ele em cada momento, no trabalho, na oração e nos cuidados do lar. Não tinhas tempo para “interrupções” causadas por aparições nem mesmo angélicas. Além do mais, nas ocasiões em que um anjo foi-te enviado, era para avisar que necessitavas sair logo, imediatamente, às escondidas, na madrugada, sem que ninguém notasse ou percebesse. Se a notícia da partida fosse anunciada “de dia” ou “de tarde”, passarias o resto do dia preocupado, interromperias o teu trabalho e oração e certamente a notícia “vazaria” para os vizinhos, como dizemos hoje em dia. Não iria dar certo, não é, São José? Será que estou errando muito com essas minhas conclusões?
Bem, continuando, finalmente voltas para Nazaré! Herodes, o cruel rei da Judéia, agora recebia a justa punição por tantas crueldades. Empreendes o caminho de volta, trazendo o Cristo, o “novo Moisés”, do Egito. Tudo para que se cumprissem as Escrituras Sagradas. Voltas para tua querida Nazaré, para tua casinha santa. Quantas saudades! Quantas lembranças! Lágrimas generosas derramam-se de teus olhos. Quanta alegria por parte dos teus parentes e amigos! Sim, tu eras querido, São José! Como não querer-te bem? Imagino-te amado por todos! Tua santidade impunha respeito, veneração e comoção. Moços, velhos, mulheres e crianças têm por ti grande apreço.
Com grande alegria e, diria, “santo orgulho”, tu deves ter apresentado o teu amado Jesus a todos e cada um de teus parentes e conhecidos. “Como é belo, robusto e de boa altura esse menino!”, alguém disse. “Vejam o filho de José, como é bem comportado e educado!”, alguém exclama. “Também, puxou o pai!”, alguém completa. Certamente, no pensamento de todos terá ocorrido o seguinte pensamento: “feliz és tu, José, por tão bom menino; dar-te-á muitas alegrias!”. Falavam profeticamente das imensas e incalculáveis alegrias eternas de que um dia gozarias, no Céu, ao lado de Jesus...
Em Nazaré, bem cedo começastes a levar o Menino à sinagoga. A Torá, o Livro da Lei, e os livros dos profetas eram lidos e comentados com respeito e veneração. Ali, contigo, São José, estava o próprio Iahweh, o Adonai altíssimo! Tu bem sabias disso. Mas calavas... Tu silenciavas e meditavas. Mais uma prova de tua santidade!
Tu eras um homem do trabalho, ó José. Ali, em tua casa, funcionava a tua oficina, o local sagrado de onde tiravas o sustento de Jesus e de Maria. Jesus deve um dia ter-te dito: “pai, ensina-me o teu ofício de carpinteiro”. Ó São José, mais uma vez o teu coração deve ter sido invadido pela emoção e confusão: “Como? O Criador do Céu e da Terra me pedindo que eu Lhe ensine como trabalhar a madeira”? Jesus, “adivinhando” os pensamentos do santo pai, deve ter respondido: “que toda a vontade de meu Pai Celeste seja cumprida”. Percebendo então, nas palavras de Jesus, que assim era para ser, aceitastes a tarefa ensiná-Lo o ofício na carpintaria. Assim, naquela casa de Nazaré, transcorreu uma das mais belas páginas na vida de Jesus: Ele, o próprio Deus do Universo, “aprendendo” humildemente a fazer mesas, bancos e cadeiras. Como seremos capazes de entender toda a simplicidade de nosso Deus? Em Jesus, o Deus infinito torna-se pequeno, Deus imortal torna-se passível, Deus eterno torna-se presente no tempo, Deus riquíssimo torna-se pobre! Tento imaginar, São José, a profundidade de tuas meditações, no tocante a esses fatos, e não consigo. Vias Jesus igual a nós em tudo, menos no pecado. Jesus comia, dormia, banhava-se, trabalhava, suava, calejava as mãos, etc. Transbordava em santidade, porém, ocultava sua infinita glória. Tudo era mistério! Porém, tu acreditavas plenamente nEle, mesmo sem teres visto nenhum dos inúmeros prodígios que Ele realizaria em sua futura vida pública. “Felizes aqueles que crêem sem ter visto!” (João 20, 29b), dirá um dia o Senhor Ressuscitado a São Tomé. Será que Ele não pensava em ti, fidelíssimo José, naquele momento?
Tua família era muito religiosa. Tu eras um santo judeu, praticante da Lei, por amor, cumpridor de teus deveres. Jesus, como todo menino e pré-adolescente judeu, foi educado por ti na fé judaica, especialmente na leitura orante da Torá, na participação do culto e cerimônias prescritas por Moisés. Aproximava-se o dia do “Bah-Mitzvah” de Jesus, dia no qual o jovem é examinado sobre seus conhecimentos relativos às Escrituras Sagradas, conhecimento esse obrigatório a todo homem judeu. Com quanta alegria não deves ter preparado a ida da Família Santíssima a Jerusalém! Jesus, agora com doze anos, seria finalmente interrogado pelos doutores da Lei de acordo com os costumes.
Creio, São José, que em nenhum momento esboçastes “autoconfiança” no sucesso de Jesus. Tua humildade era imensa e sabias que Jesus, como as demais crianças de Israel, se comportaria como elas no momento do teste. E assim foi. Jesus respondeu às perguntas feitas pelos sacerdotes e escribas a respeito da Lei. Deves tê-lO abraçado cheio da alegria! Jesus tinha sido admitido plenamente ao culto na sinagoga. Hinos de louvor e adoração à Pessoa do Pai Eterno devem ter sido entoados por ti, por Maria e pelo divino Menino Jesus. Toda a Sua Vontade estava sendo cumprida na vida da Sagrada Família.
Prepara-se a volta para Nazaré. Como era costume naquela época, os homens e as mulheres se dividem em caravanas separadas para a viagem. As crianças escolhiam se vinham com as mães ou com seus pais. Jesus não estava contigo, São José. Certamente pensastes: “está com Maria”. Empreendestes caminho tranquilamente, ainda louvando a Iahweh pela maravilhosa visita ao Templo que fizestes com tanta devoção. Porém, à noite, quando as famílias novamente se juntavam para o jantar e para o descanso, eis que vem a Virgem Santíssima perguntar-te por Jesus. Difícil é para nós avaliar e quantificar o susto, o desalento e a angústia sentidos por ti e por Maria ao perceberem que Jesus não estava nem com um e nem com outro. O que deves ter pensado: “Ó Maria, o que aconteceu? Onde falhamos? Por que isso nos está acontecendo? Será que alguém está com Jesus? Será que algo de mal lhe ocorreu?” Entre lágrimas e soluços procurastes pelo Menino em todas as caravanas, voltastes a Jerusalém, fostes na casa de algum conhecido. O Evangelho de São Lucas nos fala que procurastes por Ele durante “três dias” (Lucas 2, 46). Finalmente, acharam-nO no Templo, “sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os” (Lucas 2, 46). Não era mais o Bah-Mitzvah. O Pai incumbira Jesus de manifestar aos homens sua sapiência extraordinária de Filho de Deus e Sabedoria Encarnada. Jesus, humanamente falando, bem sabia de teu sofrimento bem como o de Maria, no tocante a seu aparente “desaparecimento”, porém, Deus Pai queria manifestar a ambos o quanto Jesus era dEle e vindo ao mundo para fazer Sua Vontade Eterna. Diante da indagação de Maria, Jesus responde com uma aparente “secura” o conhecido “por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Lucas 2, 49) manifestando, qual Mestre que é, o quanto por vezes a Vontade do Pai é incompreensível e até dolorosa, porém necessária e importante de ser cumprida. O que Jesus perguntou ou respondeu àqueles sábios e doutores da Lei, não o sabemos. O evangelista se cala. O que importa é o que ele coloca a seguir: que o senhor, São José, e Maria Santíssima, naquele momento, “não compreenderam o que Ele lhes dissera”. Porém, que “em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens (Lucas 2, 50-52) ”. Isto é, que passada aquela prova de fé e de confiança nos desígnios divinos, a Sagrada Família retornou à sua “rotina” de vida santa em comum, na qual Jesus era plenamente submisso e obediente a ti, bem-aventurado José, obtendo com isso infinitos méritos perante Deus Pai.
O tempo “voa”. Jesus cresce a cada dia. Torna-se um belo jovem e aproxima-se de sua idade adulta. Percebes, São José, o quanto Ele vai ficando “diferente”. Jesus intensifica seus momentos a sós com Deus Pai, ficando horas a fio em profunda oração. Sabes muito bem que Ele é o Messias e o teu santo coração aperta em dor. Sabes que Ele irá sofrer muito e ser rejeitado, porém, tua sensível alma desfalece de dor ao pensar em tais coisas. “Como suportarei isso, Maria, como suportarei ver Jesus sendo desprezado e escarnecido pelos homens?”. Maria te ouve e chora. Sim, Deus nosso Pai bem sabe que tu não tens condições de ver o teu amantíssimo Jesus passar pelo que Lhe espera.
A “solução” não se faz esperar. Jesus já tem em torno de vinte e nove anos. Começas a apresentar sinais da derradeira doença. Ó São José, quando me recordo das vezes que a doença ou a provação bateu em minha porta, envergonho-me. Comparado a ti, quem sou eu, santo pai? Moravas com Jesus, Deus do Universo, e com Maria, Mãe de Deus. Bem podias pedir por tua saúde ou pedir que nunca sofresses, porém, nada disso ocorreu. Recebes a doença, a fraqueza física, a cruz cotidiana, não como um “castigo” ou “maldição”, como dizem muitos que se denominam cristãos, seguidores do Crucificado, sem verdadeiramente ser. Tu acolhes a doença como um dom de Deus, como uma oportunidade para dar glória e honra a Ele e como um meio de santificação ainda maior.
Ficas doente. Jesus mesmo veio ao mundo para nos salvar e curar, especialmente do pecado, e para sofrer conosco a nossa própria dor, exercendo sua misericórdia infinita, isto é, colocando em Seu Coração Santíssimo todas as nossas fraquezas, doenças e pecados. Assim disse o profeta Isaías: “em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos...” (Isaias 53, 4). Assim, como teu Salvador misericordioso, Jesus coloca-se diuturnamente a teu lado, em teu leito de dor e contigo ora ao Pai. Certamente nosso Salvador ofereceu, entre lágrimas de amor, de gratidão e de saudade, toda a tua vida ao Pai Eterno. Eras uma das primícias de sua morte e cruz que futuramente ocorreriam. Maria Santíssima, também, imbuída de sentimentos de profundos de amor e gratidão por ti, bem-aventurado santo, deve ter derramado copiosas lágrimas por causa de tua partida que se aproximava. Tu, consolado pela presença de teus infinitos amores, ardendo em chamas vivas de caridade, entoava hinos ao Senhor Deus de Israel que se dignou escolher-te como co-partícipe em Sua obra redentora. Assim, glorioso São José, por causa de teus muitos merecimentos e por causa da presença santificante de Jesus e de Maria, angarias da Trindade Santíssima o glorioso e consolador título e missão de “Padroeiro da Boa Morte”. Desde já, São José, encomendamos a ti o momento de nossa morte. Não sabemos, glorioso santo, onde, quando ou como ela virá. Pedimos apenas que seja na companhia de Jesus e de Maria e também da tua, São José.
Assim, após expirares entre os louvores das multidões angélicas, por elas és levado à mansão dos mortos, para o seio de Abraão e para o convívio dos Patriarcas, dos Profetas e dos demais justos da Antiga Aliança. Penso com que grande alegria essas almas não devem ter te recebido. Para elas tu eras como que um luminoso farol a lhes apontar a iminente saída daquele local de espera.
Ó São José, justo varão de Israel, homem santo e bondoso, tu és nosso pai, nosso tutor e poderoso intercessor perante Jesus e Maria. Sede sempre nosso auxílio, em todos os perigos e necessidades. Livrai-nos dos ataques do maligno, do pecado e do perigo de nos perdermos. Rogue por nós, agora e na hora de nossa morte! Rogue por toda Igreja Católica, a ti confiada pelo papa e rogue pelo mundo inteiro, tão amado por Deus. Amém, amém, amém!

Giovani Carvalho Mendes, ocds
Comunidade Rainha do Carmelo

sexta-feira, 5 de março de 2010

Encontro Carmelitano


No dia 27 Fevereiro de 2010 por ocasião do encontro da Associação de Santa Teresa de Los Andes, nós carmelitas seculares da Comunidade Rainha do Carmelo, tivemos um momento de muita alegria ao participarmos juntamente com as monjas e o Frei Alzinir para rezar e nos confraternizar. Foi maravilhoso ver os três estados de vida juntos, como família. Inicialmente tivemos um momento de formação com o Frei Alzinir, que nos falou sobre o documento, "VOSSA SOU SENHOR, PARA VÓS NASCI, O QUE MANDAIS FAZER DE MIM?" Após essa formação houve a pausa para o lanche que foi junto com as monjas. Terminado o lanche voltamos para conclusão da formação. Reunimo-nos na capela para rezarmos as vésperas e a Salve Rainha.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Discernimento Vocacional para a OCDS




ELEMENTOS PARA O DISCERNIMENTO DA VOCAÇÃO À ORDEM SECULAR DOS CARMELITAS DESCALÇOSFrei Aloysius Deeney, OCD, Delegado Geral para a OCDS.


O ponto de partida para esta apresentação é constestar a a pergunta:
Quais são os princípios que usas para discernir a vocação à Ordem Secular dos Carmelitas Descalços?
Isto acontece entre os frades e as monjas: quando alguns entram em um mosteiro ou em um convento, se os mandam para casa, não é porque são pessoas más ou porque são moralmente inaceitáveis, senão porque se descobre que não tem a vocação. Ser membro da Ordem é uma vocação e, se necessita, antes de tudo, identificá-la claramente, de outra maneira, tanto os frades, como as monjas e os seculares, nos arriscamos a perder e confundir nossa identidade e propósito. Descreveria a um membro da Ordem Secular de Nossa Senhora do Monte Carmelo e Santa Teresa de Jesus como um membro praticante da Igreja Católica que, debaixo da proteção de Nossa Senhora do Monte Carmelo, inspirado por Santa Teresa de Jesus e por São João da Cruz, se compromete com a Ordem a buscar o rosto de Deus, para bem da Igreja e do mundo.
Quem é chamado a ser Carmelita Secular e como distingues entre ser ou não ser chamado?
Em tal descrição se distinguem seis elementos que, conjuntamente, são elementos que movem a gente a acercar-se à Ordem e a buscar uma identificação com ela de uma maneira mais formal.
Membro praticante da Igreja Católica: Isto, é, Católica Romana, não se refere ao rito Latino, porém se refere à unidade sob a liderança do Bispo de Roma, o Papa. A maioria dos católicos romanos, pertencem ao rito Latino. Há, porém, outros ritos dentro da Igreja Católica Romana: Maronitas, Malabares, Melquitas, Ucranianos, etc. Há comunidades da Ordem Secular em cada um destes ritos. Por exemplo, a Comunidade da Ordem Secular dos Carmelitas Descalços do Líbano pertence ao rito Maronita.
A palavra praticante especifica algo a cerca da pessoa que pode ser membro da Ordem Secular. Como algo básico, um praticante da fé católica sugere uma capacidade de participar plenamente da Eucaristia, com uma consciência clara. A Eucaristia é o cume da identidade e da vida católica. É o ponto de encontro entre o céu e a terra. Assim, se alguém está livre para participar da Eucaristia, então os pontos de menor importância são certamente permitidos.
Na maioria dos casos, no passado, isto foi muito simples de determinar. As pessoas que vinham à Ordem Secular procediam de paróquia onde os frades estavam presentes, ou através de contatos com os frades ou monjas, os quais lhes recomendavam para a Ordem Secular.
O divórcio não foi um problema maior na vida católica; muitas situações eram claras. Hoje em dia, não. As coisas não são sempre claras e, é precisamente aqui, onde o Assistente Espiritual pode ser o maior auxílio do Conselho de uma comunidade da Ordem Secular ao filtrar seus candidatos. Darei um exemplo: Uma mulher se aproxima da comunidade da Ordem Secular; a mulher é conhecida por alguém do Conselho e eles sabem que ela está em seu segundo casamento. Eles também sabem que ela vai regularmente à Missa e participa dos Sacramentos. O Conselho gostaria ser mais esclarecido antes de admitir a esta pessoa à formação. Há poucas possibilidades neste caso. A Igreja anulou seu primeiro matrimônio ou, por conselho com seu confessor, ela e seu marido vivem cada qual em seu lado, de maneira que possam participar dos sacramentos da Igreja? Uma entrevista com o Assistente Espiritual esclareceria as respostas sem necessidade de maiores explicações por respeito a seu direito de privacidade e ao bom nome de que cada membro da Igreja desfruta. Ele daria a palavra ao Conselho que permitiria a esta pessoa entrar na Ordem Secular.
A Ordem Secular é, juridicamente, uma parte da Ordem dos Carmelitas Descalços, a qual é uma instituição da Igreja Católica Romana e está sujeita às leis da Igreja. A Sagrada Congregação deve aprovar nossas próprias leis. Portanto, alguém que não pertence à Igreja Católica não pode ser membro da Ordem Secular. As pessoas não católicas interessadas na espiritualidade do Carmelo é certamente bem-vinda e pode participar de alguma maneira nos cursos e estudos com a comunidade, porém não pode ser membro da Ordem Secular.
Aqui nós temos o primeiro elemento da identidade de um membro da Ordem Secular: uma pessoa que participa da vida da Igreja Católica, porém com um “algo mais”, porque há milhões de pessoas que participam da vida da Igreja Católica, porém que não tem o menor interesse no Carmelo.
Vem agora o segundo elemento: debaixo da proteção de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Não é somente a devoção a Nossa Senhora que identifica a uma pessoa chamada à Ordem Secular. Há muitos cristãos que são verdadeiramente devotos de Nossa Senhora e que desenvolveram um grande caráter mariano em sua vida cristã. Existem muitos cristãos ortodoxos, assim como anglicanos, que são verdadeiramente marianos. Há muitos católicos que vestem o escapulário por razões válidas e com sincera devoção a Maria e não são chamados a ser Seculares Carmelitas. Não somente isso: há pessoas que vem à Ordem Secular precisamente por causa da devoção a Maria, ao escapulário e ao rosário, porém não tem vocação para ser membros da Ordem Secular.
O aspecto particular da Virgem Maria que deve estar presente em qualquer pessoa chamada ao Carmelo é a inclinação a meditar em seu coração, a frase que o Evangelho de São Lucas usa duas vezes para descrever a atitude de Maria, perante seu Filho. Sim, todos os demais aspectos da vida mariana podem estar presentes: a devoção, o escapulário, o rosário e todas as demais coisas. Todos eles, porém, são aspectos secundários na devoção mariana. Maria é nosso modelo de oração e meditação. Este interesse em aprender a meditar ou a inclinação à meditação é uma característica fundamental de qualquer Secular Carmelita e, quiçá, é a mais importante.
Uma experiência freqüente em muitos grupos é ter uma pessoa que chega à Ordem Secular para ser membro, algumas vezes pode ser um sacerdote diocesano ou qualquer outra pessoa, que resulta ser muito devota de Maria; uma pessoa que já esteve em muitas peregrinações a santuários marianos do mundo; uma pessoa que tem familiaridade com as aparições e mensagens atribuídas a Maria, em fim, é uma verdadeira “autoridade” nos movimentos marianos atuais. Porém, muitas vezes, essa pessoa não tem a menor inclinação para meditar em seu coração; ainda mais: deseja ser a mestra da comunidade a respeito da Bem-Aventurada Virgem Maria e rapidamente introduz uma “corrente mariana” não carmelitana. Se esta pessoa é um sacerdote, será muito difícil para a comunidade proteger-se a sim mesma deste desvio em sua vida mariana. Há outros grupos marianos e movimentos que podem ser o lugar para essa pessoa, porém não a Ordem Secular. Ademais, dentro da família Teresiano-Carmelitana, há um lugar para as pessoas que tem devoção pelo escapulário e por Nossa Senhora do Carmo (e que não tem vocação para o Carmelo Secular): a Confraria do Escapulário ou a Confraria de Nossa Senhora do Carmo.
Maria é, para os membros da Ordem Secular, o modelo de atitude meditativa e de disponibilidade. Ela atrai e inspira aos carmelitas, de uma maneira contemplativa, a entender a vida do Corpo Místico de Seu Filho, a Igreja. Isto é, Ela atrai a pessoa ao Carmelo. No programa de formação, este é o aspecto que deve ser desenvolvido na pessoa, quando entra ao Carmelo.
Então digo que este é o segundo elemento: debaixo da proteção de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
“Um membro da Ordem Secular de Nossa Senhora do Monte Carmelo e de Santa Teresa de Jesus é uma pessoa praticante de qualquer um dos ritos da Igreja Católica Romana que, debaixo da proteção de Nossa Senhora do Carmo e inspirada por Santa Teresa de Jesus e por São João da Cruz...”. Aqui nós temos o terceiro elemento. Mencionei ambos, Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz e posso dizer corretamente no princípio desta seção que também podemos incluir a Santa Teresinha do Menino Jesus, ou à Beata Elisabete da Trindade, ou a Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), porém Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz são centrais neste ponto.
Havendo mencionado a todas estas grandes personagens da tradição Carmelitana, sublinho a importância de Santa Teresa de Jesus, a quem, em nossa tradição, nos referimos como Nossa Santa Madre. A razão é porque a ela lhe foi dado o carisma. Em muitas partes do mundo somos chamados “Carmelitas Teresianos”. São João da Cruz foi o colaborador original, junto de nossa Santa Madre, na reforma espiritual e jurídica do Carmelo neste novo caminho carismático. Assim, ele é chamado Nosso Santo Padre. É difícil imaginar a qualquer Carmelita, de qualquer linha, que não se sinta atraído (a) por um deles, se não o é pelos dois, por suas histórias, por suas personalidades e, o mais importante, por seus escritos.
Os escritos de Santa Teresa de Jesus são a expressão do carisma dos Carmelitas Descalços. A espiritualidade dos Carmelitas Descalços tem um fundamento intelectual muito bem cimentado. Há uma doutrina implicada aqui. Doutrina vem de “docere”, palavra latina que significa “ensinar”. Qualquer pessoa que queira ser um Carmelita Descalço deve ser uma pessoa interessada em aprender com os mestres do Carmelo. Temos três doutores da Igreja Universal: Teresa, João e Teresinha.
Uma pessoa que vem à comunidade, que tem um grande amor à bendita Mãe, que quer vestir o escapulário em honra de Maria como sinal de dedicação a seu serviço, que é uma pessoa de oração, porém não tem interesse em ler ou estudar a espiritualidade do Carmelo Teresiano ou, por outro lado, trata de ler a um dos Doutores Carmelitas, porém não encontra interesse em seguir lendo-o, para mim, é uma boa pessoa que pode pertencer à Confraria do Escapulário, porém definitivamente não tem vocação para a Ordem Secular do Carmelo.
Este é um aspecto acadêmico da formação de um Carmelita Teresiano. Há uma base intelectual da espiritualidade de quem é chamado à Ordem e cada frade, monja ou secular é um representante da Ordem. Um Carmelita que não tem interesse em estudar ou aprofundar as raízes de sua identidade através da oração e estudo, perde sua identidade, não podendo dessa forma representar à Ordem e nem falar da Ordem. Muitas vezes quando ouvimos a um Carmelita falar, obviamente ouvimos o que está dizendo e podemos afirmar que o aprendeu em sua formação anos antes.
Esta base intelectual é o princípio de uma atitude que está aberta ao estudo, o qual o conduz a aprofundar com interesse na Sagrada Escritura, na teologia e nos documentos da Igreja. A tradição da leitura espiritual, lectio divina, e tempo para estudar, são a “coluna vertebral” de uma vida espiritual. Quando a informação é má, ou ausente, ou incorreta, ou é truncada, resulta em uma confusão na mente do Secular. Se esse Secular, alguma vez, por azares do destino, é Diretor da Ordem, a comunidade sofre. Isto acontece com os frades e as monjas, porém ocorre também com os seculares.
Esta base acadêmica ou intelectual é muito importante e se tem perdido, tristemente, em muitos grupos da Ordem Secular. Não é uma questão de que ser Secular Carmelita signifique ser intelectual: é uma questão de ser inteligente (i.e., pessoa viva, interessada, que procura aprender), com o propósito de saber acerca de Deus e, ao mesmo tempo, sobre a oração, a Ordem e a Igreja. A obediência tem sido largamente associada com o intelecto em virtude da fé. Obediência significa “abertura a ouvir” (ob e audire em latim). É uma atitude radical da pessoa para mover-se mais adiante do que a pessoa já sabe (i.é, aprender mais). Educação também vem do Latim (ex e ducere, isto é, superar-se). Santa Teresa descreve a pessoa nas Terceiras Moradas como quase cravada e incapaz de mover-se. Uma das características destas pessoas, permanentemente nas terceiras moradas, é que elas querem ensinar a todo o mundo, elas conhecem “tudo”; na realidade elas são desobedientes e ineducáveis. Isto é, elas estão fechadas a aprender.
O quarto elemento da descrição (i.é, sobre a vocação ao Carmelo Secular) é quem faz o compromisso com a Ordem. Há muitos católicos comprometidos que são devotos de Maria, regulares “experts” (i.é, peritos) em Santa Teresa, São João da Cruz ou em um de nossos santos, que não tem a vocação para a Ordem Secular. Estas pessoas podem ser contemplativas ou quase ermitãs, são aqueles que gastam horas em orar e em estudar cada dia, porém, eles não têm vocação para serem Carmelitas. Qual é o elemento que distingue a esta gente daqueles chamados a seguir a Cristo mais de perto como Seculares Carmelitas? Não é a espiritualidade, não é o estudo, não é a devoção a Maria. Consiste, simplesmente, em aceitar-se (i.é, conhecer-se). O Secular Carmelita é movido a comprometer-se consigo mesmo, com a Ordem e com a Igreja. Este compromisso, na forma da Promessa, é um evento eclesial e um acontecimento da Ordem, além de ser um acontecimento importante na vida da pessoa que faz a Promessa. Em certo sentido, recorda sempre à pessoa (i.é, seus compromissos cristãos e carmelitanos) em um contexto de família, de trabalho e de responsabilidades que estão envolvidas em sua vida. A pessoa que se compromete consigo mesma está caracterizada como um Carmelita.
Disse que é um evento eclesial e um acontecimento da Ordem (i.é, ao falar sobre a Promessa). É por esta razão que a Igreja e a Ordem tem um dizer essencial, em união com o candidato, em aceitar e aprovar o compromisso da pessoa. É também por esta razão que a Igreja e a Ordem dão as condições e estabelecem os termos do conteúdo da Promessa. É possível que uma pessoa queira comprometer-se consigo mesma em certas coisas: meditação diária ou o ofício divino, por exemplo. Porém a Igreja, através da Ordem, estabelece as linhas, básicas e gerais, para entender a Promessa.
O Secular pertence ao Carmelo, não o Carmelo ao Secular, o que significa que há uma nova identidade, juntamente com a identidade batismal, a qual obriga a um ponto de referência necessário. Assim como a Igreja é o ponto de referência para a pessoa batizada (a pessoa batizada pertence à Igreja), assim o Carmelo é o ponto de referência para o Secular. A maioria dos católicos reconhece a universalidade da Igreja. Alguns se tornam Carmelitas; alguns também reconhecem a universalidade do Carmelo. Com efeito, a pessoa que se compromete consigo mesma no Carmelo, na Ordem Secular, descobre que o Carmelo se torna essencial em sua identidade como católico. Isto é porque as promessas são o significado (i.é, o sinal, o ponto de referência) pelo qual cada um se torna membro da Ordem Secular e entende que a formação para as Promessas é importante, porém também a formação permanente.
Um aspecto importante deste compromisso é o compromisso com a comunidade. Uma pessoa que deseja ser um membro da Ordem Secular dever ser capaz de formar comunidade, de ser parte de um grupo que está dedicado a uma meta comum, que mostra seu interesse pelos outros membros, que é partidário de uma vida de oração e que é capaz de receber a participação de outros. Isto se aplica para as pessoas que, por várias razões, não participam ativamente em uma comunidade. Na formação do futuro da comunidade, esta característica social será uma das que deverão desenvolver-se. Há muita gente que é introvertida e quieta, porém é completamente social e capaz de formar comunidade; por outro lado, há gente que é completamente extrovertida e, ao mesmo tempo, incapaz de formar comunidade. Nesta questão é necessário usar o senso comum e se fazer esta pergunta: como será esta pessoa dentro de dez anos?
Encontramos também o caso de pessoas que pertencem a outros movimentos, por exemplo, ao Neocatecumenato, aos Focolares, ao Movimento Sacerdotal Mariano, à Renovação Carismática, etc. Se uma pessoa está envolvida com outros movimentos e não interfere com pessoas comprometidas com o Carmelo, introduzindo na comunidade elementos que não são compatíveis com a espiritualidade da Ordem Secular dos Carmelitas Descalços, então, geralmente, não há problema. Porém, quando se apresenta uma pessoa que distrai à comunidade com seu próprio propósito e estilo de vida espiritual, os problemas começam. Algumas vezes há gente confusa que vem ao Carmelo e fala de “Nossa Senhora de Medjugorje e vai a uma junta de Medjugorje e fala da oração Teresiana. Aqui, o ponto mais importante é que a pessoa deve escolher à Ordem Secular e que a Promessa é mais importante que outros movimentos ou grupos. A Promessa à Igreja através do Carmelo tem ambos: conteúdos e propósitos. Estes são expressos nos dois elementos finais de minha descrição de: “quem é um Secular Carmelita”?
O quinto elemento da descrição é buscar o Rosto de Deus. Este elemento expressa o conteúdo pessoal da Promessa. Eu poderia mencionar de várias formas este elemento: orar, meditar, viver uma vida espiritual, porém escolhi este último porque vem das Escrituras e expressa a natureza da contemplação, fixando-nos na Palavra de Deus, para que, buscando-O a Ele nesta mesma Palavra, possamos conhecê-lO, amá-lO e servi-lO.
Este aspecto contemplativo da vida carmelitana centrada em Deus, reconhece sempre que a contemplação é um regalo (i.é, um dom, uma graça) de Deus, não uma aquisição como resultado de haver investido suficiente tempo. Este é o compromisso para uma santidade pessoal. O Secular quer ver a Deus, quer conhecer a Deus e reconhece que a oração e a meditação tomam agora grande importância. A Promessa é um compromisso de uma nova forma de vida, na qual, com uma lealdade a Jesus Cristo, marcam a pessoa e a maneira como ela vive.
A vida pessoal do Secular Carmelita se torna contemplativa. O estilo de vida muda com o crescimento nas virtudes que acompanha ao crescimento no espírito. É impossível viver uma vida de oração, meditação e estudo sem mudar. Este novo estilo de vida melhora todo o resto da vida. A maioria dos membros da Ordem Secular que são casados e com família experimentam que o compromisso à vida da Ordem Secular enriquece seu compromisso familiar e matrimonial. Homens e mulheres Carmelitas Descalços Seculares que trabalham experimentam um novo compromisso moral pela justiça no lugar de trabalho. Os que são solteiros, viúvos ou separados, encontram nesta promessa à santidade uma fonte de graça e fortaleza para viver suas vidas com dedicação e bons propósitos. Isto é o resultado direto de buscar o Rosto de Deus.
É a essência do Carmelo orar? Muitas vezes ouvi ou li esta afirmação. Nunca estou seguro de como contestá-la. Não porque não sei que a oração é de grande importância para qualquer Carmelita, senão porque nunca sei o que o orador ou o escritor quiseram justificar com sua exposição. Se para a pessoa a oração pessoal significa santidade e o propósito de uma espiritualidade verdadeira que reconhece a supremacia de Deus e o legado de Deus para a família humana, então, sim, estou de acordo. Porém, se para a pessoa a obrigação completa é somente orar e não há nada mais, então, não estamos de acordo. A santidade pessoal não é o mesmo que o propósito pessoal de santidade. Para um membro batizado da Igreja, a santidade é sempre eclesial, nunca deve ter um conteúdo egoísta. Nunca julgo minha própria santidade.
Eu estou santificado pela prática das virtudes, a qual é o resultado direto de uma vida orante de busca do legado de Deus em minha vida. Isto é, que a oração secreta carmelitana não nos faz santos; a oração é um elemento essencial na santidade cristã carmelitana porque é o contato freqüente e necessário para permanecer fiel a Deus. Este contato permite a Deus fazer Sua vontade em minha vida, a qual, então, anuncia a presença de Deus e sua bondade. Sem o contato com a oração não posso conhecer a Deus e Deus não pode ser conhecido por outros.
Ver o rosto de Deus necessita uma incrível candura de disciplina no clássico e original sentido da palavra. Discípulo é alguém que aprende. Devo reconhecer que sempre sou um estudante, nunca me tornarei mestre e sempre estarei surpreso por tudo o que Deus faz no mundo. Deus é sempre um mistério. Os sinais da existência de Deus sempre me interessam: as encontro em todos os acontecimentos da vida, como solteiro, viúvo ou casado; na família, no trabalho e no retiro, porém elas somente se tornam reconhecíveis e claras através da oração, observada desde o coração. O anelo de santidade é um desejo “queimante” no coração e na mente de alguém chamado à Ordem Secular. É o compromisso que o Secular deve fazer. O Secular é atraído a orar, encontrando na oração um lugar e uma identidade.
Esta oração, este propósito de santidade, este encontro com o Senhor, tornam o Secular uma parte viva e um membro mais comprometido da Igreja. A vida do Secular resulta mais eclesial, como a vida de oração, crescendo e produzindo mais frutos: na vida pessoal, o crescimento das virtudes e, em sua vida eclesial, o apostolado.
Isto me leva ao sexto elemento da descrição: para o bem da Igreja e do mundo. Isto é o novo desenvolvimento no entendimento do lugar do Secular na Ordem e na Igreja. É o resultado do papel dos leigos na Igreja. Começando com o documento do Concílio Vaticano II, “O Apostolado dos Leigos”, e a realização dos Sínodos sobre os Leigos em 1986 e a Vida Consagrada em 1996 (Christifideles Laici e Vita Consecrata). A Igreja, constantemente sublinha a necessidade de favorecer o compromisso do laicato até suas necessidades e as necessidades do mundo. Santa Teresa teve a convicção de que a única prova de oração era a de crescer nas virtudes e de que o necessário fruto da vida de oração era o nascimento de boas obras.
Uma vez ouvi a um Secular dizer: “o único apostolado dos Seculares é a oração”. A palavra que faz que esta posição seja falsa é “único”. Uma atitude orante e obediente perante os documentos da Igreja nos faz ver, claramente, que a posição da pessoa leiga dentro da Igreja tem mudado. A Regra de Vida falou acerca da necessidade de cada Secular ter um apostolado particular. Christifideles laici ressalta a importância do apostolado das associações na Igreja e a OCDS é uma associação na Igreja. Muitos Seculares quando ouvem mencionar o apostolado de grupo pensam que a comunidade inteira deve estar envolvida em algo que toma horas e horas de cada dia, porém não falamos disso. O parágrafo 30 da Christifideles Laici dá os princípios básicos da eclesialidade para associações e lista os frutos destes princípios. O primeiro fruto da lista é um desejo renovado para uma vida orante, meditativa e sacramental. Estas são coisas boas na via do Carmelo. Existe muita gente que necessita conhecer o que disseram nossos Doutores Carmelitas da Igreja. Se cada Carmelita se dedicasse a propagar a mensagem do Carmelo, quanta gente não deixaria de estar confusa em sua vida espiritual! Entrando em uma livraria grande agente encontra tantas bobagens espirituais na seção intitulada “misticismo”.
Cada comunidade tem que se fazer uma pergunta: que podemos fazer para compartilhar com outros o que temos recebido por pertencer ao Carmelo? Nós, como Carmelitas, podemos ajudar a esclarecer (i.é, aclarar, orientar) o “estragado” (i.é, o confuso, o desorientado, o enganado) fazendo o que sabemos. Isto não é uma opção, é uma responsabilidade. Ser um Carmelita não é um privilégio, é uma responsabilidade, tanto pessoal como eclesial.
Como disse ao princípio, para finalizar, não é apenas um elemento que ajuda a discernir a pessoa que tem vocação ao Carmelo: é a combinação de todos estes elementos o que faz a diferença.

domingo, 21 de fevereiro de 2010



Nossa Santa Madre Teresa de Jesus nos ensina que para os principiantes é muito bom que vejamos nos outros somente as virtudes e em nós os defeitos, pois dessa forma cresceremos muito neste caminho de perfeição que ela mesma viveu. Para nós seculares que lidamos diariamente com muitas pessoas e de diversas crenças e culturas, temos que ter esse cuidado, de achar que sabemos mais, ou que somos mais agraciados, pois dessa forma já começaríamos mal. Peçamos a Nossa Majestade, neste tempo que ELE nos que falar ao coração, tempo de deserto, a graça da HUMILDADE, de agir assim como Nossa Mãe Maria Santíssima agiu, testemunhando com sua vida o próprio Jesus que fez Nela maravilhas, agindo de forma, poderemos também cantar o MAGNIFICA junto como Nossa Mãe. Vamos rezar e trabalhar para sermos carmelitas verdadeiros em qualquer lugar que estejamos. Deus os abençoem e Nossa Mãe Maria Santíssima os conduzam!!

REUNIÃO DA COMUNIDADE RAINHA DO CARMELO - 20/02/10

"TE TOMAREI PELA MÃO E TE CONDUZIREI AO DESERTO
PORQUE QUERO FALAR AO TEU CORAÇÃO" (Os 2,16)
Inicialmente o Artur invocou a presença do Espírito Santo, e a Ana Stela guiou um lindo e concreto momento de oração, em que todos fizeram uma experiência de encontro com Jesus. Dando continuidade à reunião, a Efigênia passou avisos gerais de interesse da Comunidade, entregando também um rico material para reflexão sobre a quaresma, que muito nos ajudará na caminhada desses 40 dias.


Ao retornarmos da recreação (que foi muito alegre e divertida como sempre), a Neila rezou juntamente com toda a Comunidade uma oração de Sta Teresa -segue um pequeno trecho:
Sua Majestade deseja almas corajosas e amigo delas,
desde que sejam humildes e sempre desconfiem de si mesmas.
(Vl 13,2)
Deu continuidade também à formação do Livro da Vida, dos capítulos 11 ao 13. Alguns pontos importantes que foram considerados:
- Há quatro modos de regar o terreno da oração: o primeiro é apanhar água a baldes num poço, com grande trabalho; o segundo é tirá-la mediante o auxílio de um aparelho próprio (nora ou alcatruzes); o terceiro é trazê-la de algum rio ou arroio; o quarto é por chuvas copiosas e frequentes (aqui é o Senhor quem rega, sem nenhum trabalho nosso).
- HUMILDADE, união fraterna e desapego são chaves necessárias ára se abrir o coração do Senhor.
- (...) Esse edifício -da oração- tem por alicerce a humildade, quanto mais chegados a Deus, tanto mais adiantados estaremos nesta virtude. A não ser assim vai tudo perdido.
- (...) É bom andar cada um com temor, não se fiando de si, nem muito nem pouco, nem se metendo em ocasião de ofender a Deus.
Em seguida rezamos as vésperas: entre tantas intenções, pedimos ao Senhor que ilumine o Encontro da Associação de Santa Teresa dos Andes, que engloba os Carmelos do Norte, Nordeste e Espírito Santo, e que acontecerá em Fortaleza/Ce, de 22 a 28/02/10.

Abraços fraternais,
Ceane Ribeiro (Mariana Mazurek, ocds)



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Encontro dos Devotos do Escapulário-16/02/10

NOSSA SENHORA DE LOURDES
A Virgem sem pecado que vem socorrer os pecadores.
E para isso propõe três meios: a fonte de águas vivas, a oração e a penitência.
O encontro iniciou-se com uma oração, onde pedimos à Virgem de Lourdes que nos auxilie na caminhada de 2010, a fim de praticarmos sempre a vontade de Deus. Em seguida o Giovani fez uma bela pregação sobre Nossa Senhora de Lourdes: contextualizou algumas das 18 aparições da "Virgem de Branco", que apareceu pela primeira vez à uma camponesa de nome Bernadete, em 11 de fevereiro de 1858 (quinta-feira), na cidade de Lourdes. Enfatizou que a Santíssima Mãe geralmente aparece à pessoas simples, sendo a humildade, a marca daquele que quer alcançar a luz da verdade sobre os mistérios do céu. Somos capazes de realizar muitas coisas, mas a auto-suficiência em excesso não ajuda nossa relação com o Senhor, a suprema humildade é a chave para se visualizar a verdade divina, e assim se alcançar a felicidade plena.
Retornando a falar sobre a menina Bernadete, Giovani ressaltou que em uma das aparições (13ª) Nossa Senhora pede que seja construída uma capela; na 16ª aparição, Ela faz uma revelação: "Eu sou a Imaculada Conceição"; e a última se deu em 16/07/1958 (dia da Virgem do Carmo), "foi um adeus silencioso". Concluindo, nosso irmão de Comunidade nos estimulou a sermos filhos marianos, seguindo em direção à Jesus Eucarístico.
Logo após, rezamos com muita fé a Coroa da Imaculada Conceição. Depois, enquanto entoamos um canto mariano, foi realizado o sorteio da Imagem Peregrina de Nossa Senhora do Carmo, e este mês quem a levou para casa foi uma senhora muito devota da Virgem Maria, que sempre participa do "dia 16" no Carmelo, comprometendo-se a trazê-la em março para novo sorteio.
Cantamos parabéns para os aniversariantes Marília e Bezerra - que do céu sejam derramadas muitas bençãos sobre eles e seus familiares. Também foi entregue um texto (que pode ser visto no link: http://www.nslourdes.org.br/paroquia.htm sob o título: Nossa Senhora de Lourdes-A História de Nossa Padroeira), como recordação do encontro; além de flores, para que cada um tenha a confiança de que este ano será repleto de muitas alegrias e graças.
Finalizando, nos despedimos na certeza de que nossos corações estão unidos na fraternidade e no amor.
Abraços fraternais,
Ceane Ribeiro (Mariana Mazurek, ocds)

Mistérios Marianos - a serem contemplados na Coroa da Imaculada Conceição

Coroa da Imaculada Conceição: contemplando os
Mistérios da Vida de Maria Santíssima


Mistérios Gozosos de Maria

I - A Conceição Imaculada e Gestação felicíssima de Maria no ventre de Sant'Ana.
II - O Nascimento de Maria.
III - A Santa Infância de Maria, principalmente no Templo, a serviço do Senhor.
IV - A Encarnação do Verbo e Santa Expectação de Maria
V - O Nascimento de Jesus.
VI - Vida doméstica no Egito e em Nazaré.

Mistérios Luminosos de Maria

I – Maria acompanha, em espírito, o Batismo de Jesus no Jordão.
II – Maria obtém de Jesus a realização de seu primeiro milagre público, em Caná.
III – Maria ouve as pregações e contempla os sinais messiânicos de Jesus
IV – Maria, principal e fidelíssima discípula de Jesus.
V – Maria contempla em espírito a Transfiguração de Jesus no Tabor.
VI – Maria recebe Jesus Eucarístico na Santa Ceia.

Mistérios Dolorosos de Maria

I – Maria acompanha em espírito a traição de Judas.
II – Maria acompanha em espírito a Agonia do Senhor no Getsémani.
III – Maria acompanha em espírito a prisão do Senhor e as torturas sofridas.
IV – Maria acompanha pessoalmente a Via Sacra de Jesus.
V – Maria acompanha pessoalmente a agonia e morte de Jesus.
VI – Maria recebe em seus braços o Corpo de Jesus e O sepulta.

Mistérios Gloriosos de Maria

I – Ressurreição de Jesus e sua aparição à sua Santa Mãe.
II – Período de 40 dias, nos quais gozou da presença física de Jesus.
III – Ascensão de Jesus ao Céu e expectativa da vinda do Espírito Santo.
IV – Vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes e início da Igreja.
V – Maria, Mãe e Mestra da Igreja nascente.
VI – Assunção e Coroação de Maria no Céu.

Orientações:
1) Inicia-se a Coroa de Maria Imaculada, louvando três vezes a Trindade, pelo Poder, Sabedoria e Amor concedidos a Maria por cada uma das Pessoas divinas. Após o louvor, reza-se: “Ó Maria Concebida Sem Pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.
2) Após a anunciação de cada um dos Mistérios acima, reza-se 10 vezes a oração acima (Ó Maria Concebida...).
4) Termina-se a Coroa com uma Ave-Maria e uma oração de Consagração à Santíssima Virgem e com o “Lembrai-Vos”.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Reunião da Comunidade Rainha do Carmelo - 06/02/10


Iniciamos nossa reunião com a oração inicial que a Rosângela fez: invocamos a presença do Senhor. Após cantarmos a música Vossa Sou, foi meditada a poesia Buscando a Deus de Santa Teresa, ambos os momentos mediados pela Ana Stela.

Também nos colocamos por alguns instantes diante de uma imagem de Jesus Cristo, contemplando os seus mistérios, o seu olhar misericordioso – “O olhar de Deus é amar e conceder graças” (Teresa D’Ávila).


Antes do recreio da Comunidade (momento em que nos alegramos muito com a presença um do outro), cantamos parabéns para o aniversariante do dia, Francisco Edilberto.

hora do cafezinho

as irmãs Janaína, Jaqueline e Juliana

Regina e Valdete

Cláudia e Raimundo

Em seguida, a Ana Stela coordenou a formação do Livro da Vida (capítulos 1 ao 9), onde discutimos amplamente cada capítulo proposto para estudo. Concluindo o encontro, rezamos as vésperas; e saímos mais felizes, em saber que dia-a-dia a fraternidade entre nós cresce, e que estamos caminhando em unidade com todo o Carmelo e com os ensinamentos da Santa Igreja.
Esperamos ansiosamente pelo próximo dia 16, em que os amigos do Carmelo se reunirão para uma formação sobre Nossa Senhora de Lourdes.

Abraços fraternos a todos,
Ceane Ribeiro (Mariana Mazurek, ocds)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Paixão de Cristo narrada por um cirurgião


PAIXÃO DE CRISTO NARRADA POR UM CIRURGIÃO

Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo.
Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo.
Posso, portanto escrever sem presunção a respeito de morte como aquela. Jesus entrou em agonia no Getsemani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.
O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a decisão de um clínico. O suar sangue, ou "hematidrose", é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessária uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.
Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus. Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.
Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo).
Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário. Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso. Sobre o Calvário tem início a crucificação.
Os carrascos despojam o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem já tirou ma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim.
O sangue começa a escorrer. Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pó e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apoiam-no sobre a mão de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado.
Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem
pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não.
O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas. O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; consequentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical. Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical.
Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio. A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira. Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede. Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus.
Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. A isto que os médicos
chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianótico. Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais esvaziar-se. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita. Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial. Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem". Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça.
Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá elevar-se tendo como apoio o prego dos pés.Inimaginável! Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas. Todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancam um lamento: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”.
Jesus grita: "Tudo está consumado!". Em seguida num grande brado diz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". E morre. Em meu lugar e no seu.
Dr. Barbet, médico francês

A Fisionomia de Cristo


Descrição da Fisionomia de Jesus

Depoimento da expressão fisionômica de Jesus, encontrado na biblioteca dos Lazaristas, em Roma, na carta escrita ao César Romano, Tibério César, imperador de 14 a 37 D.C., por Públius Lentulus, da Judéia, predecessor de Pôncio Pilatos, que se refere a Jesus Cristo, que naquela época, nas terras da Palestina, principiava as suas prédicas.

“Do senador Públius Lentulus na Judéia ao César Romano: soube ó César, que desejavas ter conhecimento do que passo a dizer-te. Há aqui um homem chamado Jesus Cristo, a quem o povo chama profeta e seus discípulos afirmam ser o Filho de Deus, criador do Céu e da Terra. Realmente, ó César, todos os dias chegam notícias das maravilhas deste Cristo: para dizer-te em poucas palavras, dá vista aos cegos, cura os doentes, surpreende toda Jerusalém. Belo e de aspecto insinuante, é um homem de justa estatura, e sua figura é tão majestosa que todos o amam irresistivelmente. Sua fisionomia, de uma beleza incomparável, revela meiguice e ao mesmo tempo tal dignidade, que ao olhar-se para ele, cada qual se sente obrigado a amá-lo e a temê-lo ao mesmo tempo. O cabelo dele, até as alturas das orelhas, é da cor das searas quando maduras, emoldurando divinamente a sua fronte radiosa de jovem mestre; caindo em anéis reluzentes, espalham-se pelos seus ombros com uma graça infinita, sendo então de uma cor indefinível, como o vinho, claro e brilhante. Ele trás o mesmo apartado ao meio por uma risca à moda dos nazarenos. A barba é da cor do cabelo e não muito larga e também dividida. O olhar de paz é profundo e grave, com reflexos nos olhos de várias cores, e o que mais surpreende é que resplandecem. As pupilas parecem os raios do sol. Ninguém pode fitar-lhe o rosto deslumbrante. O seu porte é muito distinto. Possui encanto e atrai os olhares. Tão belo o quanto pode ser um homem belo, ele é ser mais nobre que imaginar se pode e muito semelhante à sua Mãe, mais formosa figura de mulher que até hoje apareceu na terra. Nunca foi visto sorrindo, mas já foi visto várias vezes chorando. Faz-se amigo de todos e mostra-se alegre com gravidade, e quanto é visto em público, aparece sempre com grande simplicidade. Quer fale, quer opere, fá-lo sempre com elegância e sobriedade. Toda gente acha a conversação dele muito agradável e sedutora. Fala um idioma de misterioso encanto e as multidões compostas de judeus e de naturais da Capadócia, Panfília, Cirene e de muitas outras regiões, ficam perplexas no ouvi-lo, pois cada qual o ouve como se fosse no seu próprio idioma pátrio. Se a tua majestade, ó César, deseja vê-lo, avisa-me que eu logo to enviarei. Apesar de nuca ter estudado, é senhor de todas as ciências. Em sua expressão divina, ele é a sublimação individualizada do magnetismo pessoal. As criaturas disputam-lhe a presença encantadora, as multidões seguem-lhe os passos, tocadas de singular admiração. Quase todos buscam tocar-lhe a vestidura, pois dele emanam irradiações virtuosas que curam moléstias pertinazes. Ele produz espontaneamente um clima elevado de paz, que atinge a quantos lhe gozam a excelsa companhia. Anda com a cabeça descoberta e quase descalço, a sua túnica alvíssima, combina com a sutileza de seus traços delicados. Muitas pessoas, quando o vêem ao longe, escarnecem dele, mas, quando ele se aproxima e estão a sua frente, então tremem e admiram-no.
De sua figura singular, extraordinária , de beleza simples, vêem um ‘quê’ diferente que arrebata as multidões, e essas se assemelham, ouvindo as suas promessas sobre um eterno reinado.
Os hebreus dizem que nunca viram um homem semelhante a ele, cuja sabedoria excede a dos gênios. Nunca ouviram conselhos idênticos, nem tão sublime doutrina de humildade e de amor, como a que ensina esse Cristo. Amável ao conversar, torna-se temível quando repreende, mas mesmo nesse caso, revela segurança e serenidade. É sobretudo sábio, modesto e muito casto. É um homem enfim, que por suas divinas perfeições excede os outros filhos dos homens.
Muitos judeus o têm por divino e crêem nele. Também o acusam a mim dizendo, ó César, que ele é contra a tua majestade, porque afirma que reis e vassalos são todos iguais diante de Deus, e assevera que acima do teu poder, ó César, reina único Deus todo-poderoso, consolador de todos os homens desesperados e aflitos.

Ando apoquentado com estes hebreus que pretendem convencer-me de que ele é prejudicial. Mas os que o conhecem que a ele têm recorrido, afirmam que ele nunca fez mal a alguma pessoa e, antes, emprega todos os seus esforços para fazer a humanidade feliz.
Estou pronto, ó César, a obedecer-te e a cumprir o que me ordenares”.


Obs: Jesus Cristo fundou a organização mais bem-sucedida da história. Uma organização que tem dois mil anos; uma riqueza incalculável: os números e valores são difíceis de calcular. De tão leais, muitos dos seus membros chegam a dar a própria vida. Está presente no mundo inteiro, em todas as nações e além de integrada com todo tipo de empreendimento. Jesus Cristo é o maior administrador que o mundo já conheceu. Enquanto isso, muitos não conseguiram que seus impérios sobrevivessem às suas próprias mortes.

Oração por uma Boa Morte - com as sete Palavras de Cristo na Cruz



ORAÇÃO POR UMA BOA MORTE
(com as últimas palavras de Jesus na cruz)

Ó meu Santíssimo Salvador e Senhor Jesus Cristo! Quão grande é Vossa Misericórdia! Quão infinito o Vosso Amor por nós! Com todo o meu coração e em espírito e em verdade, adoro-Vos profundamente e, cheio de dor e amor, penso em Vossa Sagrada Paixão e Morte de Cruz, em Vossas Santíssimas Chagas e em Vosso Preciosíssimo Sangue que derramastes todo por nós!
Ao contemplar Vossa santíssima morte, meu Senhor e meu Deus, lembro-me que, também eu, deverei passar pela morte! Sei que ela virá, ó meu Deus! Sou filho de Adão, um pobre pecador, e devo, com minha morte, pagar este “salário do pecado”.
Durante esse tempo que me separa do momento de minha morte, quando olhares para mim, com Vossos olhos cheios de amor, marejados de lágrimas, em vista de meus pecados, lembrai-Vos, ó Jesus, da Vossa Misericórdia e do Sangue que Vós derramastes por mim e clamai ao Vosso Pai: “perdoai-lhe, ó Pai, pois não sabe o que faz!”.
Sim, ó Jesus, ajudai-me a me converter e a ser um bom cristão para que, na hora da minha morte, cheio de amor por Vós, e de esperança na vida eterna, possa, como Vós, também dizer: “está tudo consumado!”. Quero, com a Vossa Graça, ter a consciência e a paz do dever cumprido, de ter feito a vontade do Pai em minha vida!
Na hora da dor, talvez minha alma grite como a Vossa: “tenho sede!”. Sim, Jesus, sede de Vós, do Vosso amor e de Vossa presença!
Consciente de minha iniqüidade, não sei se merecerei como aquele “bom ladrão”, ouvir de Vós – “hoje mesmo, estarás comigo no paraíso” – porém, confio imensamente em Vossa Misericórdia, e sei que Vos apiedareis de minha alma e, em breve, estarei convosco Senhor! Não saí eu das entranhas do Vosso Amor? Vossa alegria é que eu esteja convosco!
Naquele derradeiro momento, minha alma confiante ouvirá Vossa consoladora voz dizer: “Mulher, eis aí o teu filho”. E verei minha doce Mãe, a Virgem Maria, cheia de ternura, a amparar-me em seus braços maternos! Sim! Minha alma sentir-se-á feliz e tranqüila! Maria Santíssima é minha Mãe e Advogada, minha Porta do Céu e, olhando para Ela, ouvirei novamente vossa voz, ó Jesus, a me dizer: “eis aí a Tua Mãe!”.
Porém, meu Deus, se pronta está a alma, fraca é a carne! Diante da morte terei medo, como Vós tivestes, ó Jesus! Por isso, sei que entender-me-eis se, por acaso, como Vós, eu clamar: “meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?”. Ó Jesus querido, vinde, aproximai-Vos de mim, consolai-me, acolhei-me, colocai-me em Vosso Doce Coração de Irmão e Amigo e, assim, com a alma feliz e livre, poderei finalmente dizer: “Pai, em Vossas mãos entrego o meu espírito!”. Amém!

(Giovani Carvalho Mendes)