quarta-feira, 21 de novembro de 2012

5ª Palestra sobre o Pai Nosso


O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE


Como é interessante a pedagogia de Jesus! Às vezes, nosso Senhor chega a ser redundante, na tentativa de que nossa pouca inteligência, muito inclinada à matéria, ao visível e ao palpável, possa entender o que quer nos dizer.
Aqui Jesus nos ensina a pedir ao Pai o “pão”. Melhor ainda, o “pão NOSSO”. Mais uma vez nosso Senhor usa a palavra “nosso”. Pai nosso e pão nosso. Mais uma vez, Jesus quer nos dizer que assim como o Pai é de todos, o pão também o é, ou, pelo menos, deveria ser.
Mas, que “pão” é esse? Antes de tudo, temos que compreender que o Pai nosso é a oração universal. Ela contempla a essência de Deus e também a essência do homem. Nós, homens e mulheres, somos corpo, mente e alma. Esses três aspectos do ser humano não são autossuficientes. Corpo, mente e alma necessitam ser alimentados, necessitam, cada um a seu modo, de “pão”. Portanto, podemos sim dizer que o “pão nosso” é tudo aquilo que precisamos para alimentar, revigorar e sustentar nosso corpo, mente e alma.
Antes de falarmos dos vários “pães” que compõem o “pão nosso”, não podemos deixar de falar no PÃO mais importante de todos eles, aliás, fonte de onde emanam todos os “pães”: o próprio Deus, na Pessoa de Jesus, PÃO DA VIDA. Sim! Jesus é o PÃO DE DEUS, o MANÁ divino que verdadeiramente é fonte de vida para todos nós. Não seríamos nada, nada mesmo, sem Jesus, o PÃO DESCIDO DO CÉU (conferir em João 6, 51.58).

Jesus é tudo o que o homem e a mulher precisam para realmente serem felizes nesta vida e na eternidade. Por Ele nos vem a paz verdadeira, a alegria interior, a esperança, a fé, o amor ao próximo, a paciência nos sofrimentos do dia a dia, a força para lutar, etc. Jesus é a Vida do homem. Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Como Jesus é de todos e para todos, pois morreu por nós na cruz e nos salvou, Ele verdadeiramente é NOSSO. Ninguém pode se apropriar de Jesus. Jesus é nosso Deus, nosso Irmão, nosso Rei, nosso Redentor, nosso Salvador, portanto, é NOSSO. Jesus é o PÃO NOSSO que o Pai quer nos dar, se O pedirmos com fé. No entanto, o Pai só nos dará Jesus se pedirmos com fé e confiança a Ele. E temos que pedir a cada dia, e, em cada um desses dias, para aquele dia, portanto, para HOJE. O ontem não existe mais. O amanhã ainda não chegou. Tudo o que importa é o hoje. Deus quer nos dar seu PÃO hoje, somente para hoje, a cada dia. Esse pedido gerará em nós muita humildade, muita confiança e muita dependência de Deus. Se esperamos dEle o Pão somente para hoje, como nos orgulharmos, como sermos ambiciosos ou ciosos se tudo o que temos é o hoje?
Assim, como ORAÇÃO DE SANTIDADE, o Pai nosso mais uma vez cumpre o que veio fazer: tornar-nos mais santos, quando verdadeiramente rezamos pensando e querendo o que ela nos diz.
Mas, falemos também sobre os outros “pães” quem também compõem o Pão nosso que Deus quer nos dar. Deus nos conhece. Sabe de nossas necessidades. Jesus foi homem como nós. Viveu nossa condição humana e conhece todas as nossas necessidades, mais do que ninguém. Sabe que somos frágeis, pois, Ele mesmo conheceu nossa fraqueza, mesmo nunca pecando. Jesus sabe que precisamos do alimento para nossos corpos, que precisamos de acesso à educação, à saúde, ao emprego, à moradia, isto é, a tudo aquilo que possa tornar nossa vida digna.
Todos precisam de tudo isso que enumerei. Deus sabe disso. Peca gravemente quem acha e chega mesmo a dizer que Deus não se importa com o nosso sofrimento, que não se compadece de nossas misérias, que não chora com os que choram, que assiste às desgraças e catástrofes que ocorrem na terra de forma impassível. Deus é um Deus de Amor! Deus é Amor! Como podemos julgar a Deus de forma tão cruel? Infelizmente, no entanto, nossa condição humana, inclinada ao pecado, permitiu que todas essas desgraças penetrassem no mundo. Deus não tem culpa das desgraças ou das maldades humanas. Elas estão aí porque permitimos que elas existissem. Deus sofre conosco também e é solidário à nossa situação.
Por isso a oração! A oração é nosso canal de comunicação com Deus. Pela oração poderíamos alcançar grandes milagres de graça, benção e providência, no entanto, não temos fé. Montanhas poderiam ser movidas, obstáculos derrubados, os fracos ganhariam novo ânimo, os caídos, força para se erguerem, os perdidos uma nova esperança de vida. No entanto, não temos fé. Não rezamos, não oramos, não conversamos com Deus, não nos entregamos à sua vontade, não fazemos dEle o centro de nossas atenções e nem de nossas vidas. Por isso vivemos assim: sem esperança, sem forças, perdidos, atordoados, cegos e desanimados. Meu Deus! Que pena!
Rezemos bem o Pai nosso! Peçamos o Pão nosso com fé, com ânimo, com confiança, com espírito de luta! Como braços de Deus no mundo, lutemos por uma sociedade mais justa, menos desigual, onde todos tenham acesso a um serviço de saúde digno, a boas escolas, a boas moradias a um emprego ou trabalho que dê ao homem condições de se manter e manter sua família.
Jesus foi trabalhador. Trabalhou com seu pai São José e também sozinho quando Maria ficou viúva. O PÃO DA VIDA trabalhou para conquistar o pão do corpo, que também é necessário para sermos felizes. Ele compreende essa necessidade humana e ensinou-nos a pedirmos ao Pai, como filhos e filhas, que nem Ele, Jesus, nunca nos falte, como também nunca nos falte os meios materiais que também precisamos para sermos felizes e realizados.
Peçamos sempre ao Pai que esse PÃO DO CORPO que também faz parte do PÃO NOSSO, além de nunca nos faltar, que seja o suficiente para cada dia, para o hoje, para que nunca sejamos engolfados pela ganância ou avareza, sabendo ser solidários com os famintos de corpo e de alma, bem como para com todos os que sofrem.

PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS

Acredito que 99 % dos cristãos católicos rezam de forma equivocada esta parte do Pai Nosso. Pode até ser que você mesmo, caro irmão ou irmã, que lê este pequeno livro, também reze de forma errada esse trecho do Pai Nosso. “Perdoai-nos” as nossas ofensas... Raríssimas vezes ouvi alguém rezando assim. A grande maioria (até padres) reza: “perdoai as nossas ofensas”. Reparam? Na maioria das vezes omite-se o “nos” após a palavra “perdoai”.
Aos olhos de muitos tal detalhe talvez nada importe ou nada signifique, no entanto, muito pelo contrário, a presença ou não do “nos” altera bastante o sentido da Oração do Senhor.
E qual seria essa diferença? Simples. Quando dizemos: “perdoai-nos” as nossas ofensas, não estamos pedindo ao Pai que perdoe as nossas faltas, mas, na verdade, estamos pedindo que perdoe a nós, os autores das ofensas. Entenderam? Pedimos: “Pai, perdoe a gente, que tanto Vos ofendemos”! Isso é bem diferente de dizermos: “Pai, perdoe as nossas ofensas”. Precisamos que Deus NOS perdoe e não apenas que perdoe os nossos pecados. Claro que os pecados ofendem a santidade e honra de Deus Pai, no entanto, precisamos que Deus Pai nos perdoe a nós que somos ingratos, inconstantes, tíbios e infiéis à infinita bondade de Deus.
Na própria continuação da oração, não dizemos que perdoamos as ofensas de quem nos ofende, mas, que perdoamos a quem nos ofende, isto é, à pessoa. O pecado é pessoal, portanto, a ofensa é pessoal. Nosso relacionamento com Deus é pessoal. Devemos pedir-Lhe perdão por sermos tão pequenos, tão pobres e tão miseráveis diante de sua Pessoa, que tanto nos quer bem e que é tão ofendida por nós.
Nós somos essencialmente pecadores. Somos inclinados ao pecado. Não tem jeito. Faz parte da natureza do homem e da mulher serem pecadores. Mesmo quando somos aparentemente “bonzinhos” ou até mesmo santos, enquanto caminhamos neste mundo, somos pecadores. Os santos e as santas de Deus sabiam muito bem disso. Tinham ódio ao pecado e julgavam-se, até à morte, miseráveis e indignos pecadores, mesmo aqueles ou aquelas que já viviam em grande perfeição. Pediam e imploravam continuamente a Misericórdia de Deus, pois sabiam que eram pecadores e poderiam incorrer em pecados se lhes faltasse a assistência divina, a oração e uma contínua vigilância. “Orai e vigiai para não cairdes em tentação”. A guerra contra o pecado é constante. Veremos isso mais a diante quando comentarmos sobre a tentação.
Interessante que Jesus não usa a palavra “pecados” quando compõe a oração do Pai Nosso. Ele se utiliza da palavra “ofensas”. Por que será? O que Ele nos quer dizer com isso?
Já ouvi da parte de algumas pessoas – talvez quem está lendo estas páginas também possa testemunhar isso – que Deus “tem assuntos bem mais importantes a resolver ou para se preocupar” do que ficar “prestando atenção” nos pecados da humanidade. O que mais admiro nos nesses falsos argumentadores é a inteligência astuta que possuem – aparentemente irrefutável – mas, que rapidamente demonstra o errado conceito que tem da Pessoa de Deus. Para esses, Deus é um Ser Eterno e Todo Poderoso que, devido a sua infinita grandeza, está muito distante de nós e que pouco se importa com a nossa vida e realidade.
Que pena que pensem assim. Vê-se claramente que tais “sábios para as coisas deste mundo” pouco leram a Palavra de Deus e menos ainda a vida e os escritos de nossos santos e santas católicos que muito descreveram como é o Amor de Deus, tão intimamente voltado para cada ser humano. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo (a Trindade Indivisa) são totalmente apaixonados pelo ser humano e tem por nós um amor violento e ciumento, ao ponto de, mesmo na glória infinita que possuem no Céu, fazê-los sofrer de amor.
Deus Pai é verdadeiramente nosso Pai, pois nos criou do nada e nos criou para sermos dEle. O Pai é cioso de nosso amor, suspira ardentemente por um ato ou gesto de amor nosso e chegou ao mais supremo ato de amor possível a um Pai: dar seu Filho Único para morrer por nós. Deus Filho, Jesus Cristo, é o Emanuel, o Deus Conosco, que veio se tornar um de nós. Além de ser nosso Deus e Senhor, é nosso Irmão e Salvador, apaixonado de amor por nós, e também tudo fez para nos provar esse amor e tudo fez para nos salvar. Deus Espírito Santo também é apaixonado de Amor por nós. O Espírito Santo é a Personificação deste Amor Divino, infinito e santíssimo, que habita o centro da Santíssima Trindade.
Assim, esse Deus que tanto nos ama, quer também ser amado. É justo! Todo amante é assim. Quem ama quer e merece ser amado, quanto mais nosso Deus que nos criou e salvou para sermos dEle, para pertencermos a seu Amor infinito.
Bem, aí vem o ser humano: senhor de si, julgando-se independente de Deus, livre para escolher o caminho do bem ou do mal, conforme escolha de nossos primeiros pais Adão e Eva. Optamos por sermos “deuses de nós mesmos”, viramos as costas para o amor e para a vontade de Deus, achando com isso que seríamos talvez mais felizes. Quanta ilusão! Como nos enganamos! Caímos em nosso “mundinho” mesquinho e egoísta, nos enchemos rapidamente de prepotência, nos tornamos rebeldes, infelizes e insatisfeitos com tudo. De tudo reclamamos, alimentando cada vez mais o “reizinho” ou “deusinho” que vivem em nós.
Essa condição humana é uma contínua ofensa a Deus. Ah, não sabiam? Pois é. Somos “pecadores contínuos”, pois, geralmente, fazemos de nós mesmos objetos de adoração, buscando sempre satisfazer a nossa vontade e aos nossos desejos. Somente a Santíssima Virgem Maria jamais ofendeu a Deus, pois foi sempre e constantemente sem máculas, humilde e obediente à vontade de Deus. Muitos santos também atingiram altos níveis de perfeição e santidade, no entanto, todos tiveram que lutar muito contra as más tendências que sempre ficam ali, rondando as suas mentes e as suas almas, solicitando que satisfizessem as suas vontades.
Temos que ser constantemente humildes, muito humildes. Foi a virtude que Jesus mais valorizou. Leiam com atenção aos evangelhos e vejam! Jesus detestava qualquer pecado, no entanto, o pecado do orgulho, da soberba, da vanglória e da autossuficiência, que são tudo a mesma coisa, tirava a Jesus do sério. Eram justamente esses pecados que tanto irritavam a nosso Senhor quando Ele tinha contato ou conversava com os fariseus e doutores da lei.
A oração do Pai Nosso deve nos ensinar a sermos humildes. Temos que continuamente nos reconhecer pecadores, frágeis, pequenos, fracos e totalmente dependentes de Deus para tudo! Se não fizermos isso, jamais nos salvaremos! Imploremos o perdão de nossas ofensas, pois realmente Deus é o Grande Ofendido, tanto por mim como pelo mundo inteiro. Deus, que é Amor, não é amado, já gritava São Francisco de Assis pelas ruas de sua cidade. Deus não é amado! Aí está a razão de ser tão ofendido por mim, por você, meu caro irmão e irmã, bem como pelo mundo inteiro!
Se somos, portanto, tão ruins e ingratos, e nosso Deus nos ama e perdoa, quem somos nós para não perdoarmos a nossos irmãos e irmãs? Ao mesmo tempo em que nos perdoa, Deus Pai nos pede que ao menos tenhamos disposição em perdoar a quem nos ofende.  E olha que, com isso, Deus não quer nada mais do que a nossa paz e felicidade, tão plenamente alcançadas quando nosso coração ama e perdoa.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Hino do Carmelita Secular da Província São José

HINO DO CARMELITA SECULAR DA PROVÍNCIA SÃO JOSÉ


CARMELITAS SECULARES DA PROVÍNCIA SÃO JOSÉ,
COMUNIDADES DO BRASIL CAMINHANDO COM FÉ.

Todos juntos caminhamos feitos sementes a germinar,
ultrapassando as fronteiras deste país a clamar.

No silêncio, na oração, nossa vida transformar,
com Teresa e João o mundo evangelizar.

Todos os leigos carmelitas na Igreja a se doar,
na família, no trabalho, nossa vida consagrar.

São José nosso Patrono nos abençoa com igualdade,
e se faz nossa força é exemplo de caridade.

Mãe Rainha do Carmelo és modelo de oração,
com Jesus seguimos juntos o Caminho de Perfeição.
 
Letra: Cláudia Maria Rodrigues Pinto

Música: Luiz Carlos Belizário Filho
(Comunidade Rainha do Carmelo, OCDS, Fortaleza-Ce)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Reunião em 17/11/12

Nosso encontro aconteceu na Ermida de São José, Carmelo Santa Teresinha. Iniciamos nossa tarde com a oração conduzida pela Neila.
Em seguida nosso irmão Giovani, deu continuidade à formação sobre a oração do Pai Nosso, falando do trecho: "O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai-nos as nossas ofensas."
Momento do intervalo, partilhamos e nos confraternizamos!
Nossos irmãos, Mário e Jacyra
Após o intervalo, apresentamos os iniciantes e cada um pôde falar seu nome e dizer de qual paróquia pertence. Acolhemos a cada um com amor e alegria, e pedimos ao Nosso Bom Deus que os ajudem a perseverarem nessa caminhada!
Neila iniciou a formação fazendo uma retrospectiva dos outros livros de Santa Madre Teresa de Jesus que já foram estudados: VIDA, CAMINHO DE PERFEIÇÃO E FUNDAÇÕES, e que esse novo período que inicia-se em 15/10/12 a 15/10/13, todo o Carmelo estará entudando o livro CASTELO INTERIOR OU MORADAS.
Fizemos uma abordagem, para facilitar aos iniciantes, sobre a vida de Nossa Santa Madre Teresa de Jesus, desde seu nascimento. 
Finalizando nossa tarde, com a Oração das Vésperas e Salve Regina.

AVISOS: *Nossa próxima reunião será dia 24/11/12 com o repasse do Congresso Provincial.
                *A equipe de limpeza desse dia será: Danielle, Giovani e Rosângela.
                *O Hino feito por nossa irmã Cláudia, foi o vencedor.              

domingo, 4 de novembro de 2012

Reflexões de Bento XVI em 04-11-12

O amor é um dom que Deus nos faz conhecer e experiementar!


Reflexões de Bento XVI antes da oração do Angelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 04 de novembro de 2012(ZENIT.org) - Às 12 horas de hoje, o Santo Padre Bento XVI apareceu na janela de seu escritório no Palácio Apostólico Vaticano para rezar o Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
Oferecemos as palavras do Papa na introdução da tradicional Oração Mariana.

Queridos irmãos e irmãs!

O Evangelho deste domingo (Mc 12, 28-34) nos propõe o ensinamento de Jesus sobre o maior mandamento: o mandamento do amor, que é duplo: amar a Deus e amar ao próximo. Os Santos, que recentemente celebramos todos juntos em uma única festa solene, são aqueles que, confiando na graça de Deus, buscam viver segundo esta lei fundamental. De fato, o mandamento do amor pode colocá-lo em prática plenamente somente quem vive uma relação profunda com Deus, assim como a criança se torna capaz de amar a partir de um bom relacionamento com sua mãe e seu pai.
São João de Ávila, que recentemente proclamei Doutor da Igreja, assim escreve ao inicio do seu Tratado de Amor a Deus: “A causa – diz – que mais impulsiona o nosso coração ao amor de Deus é considerar profundamente o amor que Ele teve por nós... Isto, mais do que os benefícios, leva o coração a amar; porque aquele que faz ao outro um beneficio, lhe dá alguma coisa que possui; mas aquele que ama, se doa com tudo o que tem, sem que lhe sobre algo a dar” (n.1). Antes de ser uma ordem – o amor não é uma ordem – é um dom, uma realidade que Deus nos faz conhecer e experimentar, para que, como uma semente possa germinar também dentro de nós e se desenvolver em nossa vida.
Se o amor de Deus deixou raízes profundas em uma pessoa, esta é capaz de amar até mesmo quem não merece, assim como Deus faz conosco. O pai e a mãe não amam os filhos somente quando eles merecem: os ama sempre, mesmo quando naturalmente faz com que eles entendam que estão errados. De Deus aprendemos a querer sempre e somente bem e nunca o mal. Aprendemos a olhar o outro não somente com os nossos olhos, mas com os olhos de Deus, que é o olhar de Jesus Cristo. Um olhar que vem do coração e não permanece na superfície, vai além das aparências e consegue captar os anseios profundos do outro: de ser escutado, de uma atenção gratuita; em uma palavra: de amor. Mas se verifica também o percurso inverso: que abrindo-me ao outro assim como ele é, indo ao seu encontro, tornando-me disponível, eu me abro também para conhecer a Deus, para sentir que Ele existe e é bom.
Amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis e estão em relação recíproca. Jesus não inventou nem um nem outro, mas revelou que estes são, no fundo, um único mandamento, e o fez não apenas com palavras, mas, sobretudo, com o seu testemunho: a própria Pessoa de Jesus e todo o seu mistério encarnam a unidade do amor a Deus e ao próximo, como os dois braços da Cruz, vertical e horizontal. Na Eucaristia Ele nos doa esse duplo amor, doando-Se a Si mesmo para nós, para que, nutridos deste Pão, nos amemos uns aos outros como Ele nos amou.
Queridos amigos por intercessão da Virgem Maria rezemos para que todo cristão saiba mostrar a sua fé no único verdadeiro Deus com um testemunho claro de amor ao próximo.

domingo, 28 de outubro de 2012

4ª PALESTRA SOBRE O PAI NOSSO


SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU

Podemos iniciar a reflexão sobre esse trecho do Pai Nosso com as seguintes perguntas polêmicas: O que é vontade de Deus e o que é permissão de Deus? Qual é a vontade de Deus?
As diversas religiões cristãs e não cristãs, bem como seus líderes ou pregadores, tem várias versões e explicações para essas perguntas. Muitas delas, inclusive, absurdas. Para muitos, Deus é a favor de guerras, de assassinatos, de atentados terroristas e outras violências contra a liberdade, dignidade e vida humanas. Em certos casos particulares, para muitas pessoas até mesmo “religiosas” e que “gostam de Deus”, este Deus seria a favor de um homem deixar sua esposa e juntar-se com outra mulher, caso seu casamento não estivesse “dando certo” ou se seus gênios não fossem “compatíveis”. Muitos ladrões, bandidos, assaltantes e traficantes podem até mesmo, em suas preces, pedir a Deus que os proteja durante a prática de seus crimes e até mesmo agradeçam a Deus o “feliz sucesso” em suas empreitadas.
Mesmo em nossa própria religião cristã, quiçá, entre nós católicos, as opiniões sobre a vontade de Deus se dividem. Há pregadores que em suas homilias e palestras dizem que Deus valoriza e até mesmo abençoa o sofrimento humano, que pode ser caminho de santificação. Outros, ao contrário, acham que Deus veio para aliviar toda dor e toda cruz, portanto, que o maior sinal de sua benção é uma pessoa ficar livre de doenças e qualquer forma de sofrimento.
Antes que falemos sobre a vontade de Deus, é interessante que reflitamos um pouco na diferença que há entre vontade de Deus e permissão de Deus. Muitos são os pensadores e filósofos que se debatem neste momento. Infelizmente, jamais compreenderemos na terra o exato limite entre uma e outra.
Podemos, no entanto, garantir que Deus de forma alguma é a favor do pecado e ou de qualquer coisa ou ocasião que possa levar alguém a pecar. Nunca! Deus é o inimigo número um do pecado. O pecado é coisa odiosa para Deus. Claro que também Ele não se compraz com as consequências do pecado, como, sofrimentos, tribulações, provações, tentações, doenças, morte, etc. No entanto, Deus permite que existam tais coisas no mundo e na história humana, pois nós (todo o gênero humano) as merecemos por nossa culpa.
Uma das coisas mais incompreensíveis à mente humana é o porquê de Deus permitir a presença do mal, isto é, a ação do maligno no mundo. Como pode ser que um Deus que é Amor permita que a humanidade padeça tanto sob o jugo das forças do mal? Quantos inocentes sofrem diariamente o ataque de satanás e daqueles que são da parte dele? Caros irmãos e irmãs, tudo é culpa nossa. Fomos nós, homens e mulheres, que abrimos as portas para que o mal viesse à terra. Deus respeita nossa liberdade. Mesmo cheio de dor, sofrendo junto conosco (como o fez na Pessoa do Cristo), Deus permite que exista no mundo a presença do mal. Repito e insisto: Deus não fica nada feliz com presença do mal no mundo. Sofre junto conosco. Chora com os que choram. Enviou seu Filho Único ao mundo justamente para vencer esse Mal, morrendo por nós na cruz. Porém, apesar de ter vencido o mal na cruz e de nos ter conseguido a graça de também vencê-lo em nossas vidas, não retirou totalmente a presença do mal do mundo. Esta é uma realidade dura que faz e fará parte da cruz cotidiana de cada homem ou mulher na face da terra, inocentes ou não.  O sofrimento com suas mais diversas “caras” é a cruz que todo o gênero humano terá que levar até o fim do mundo. Mas isso não é vontade de Deus.  Podemos afirmar com segurança: não são vontade de Deus os crimes, as guerras, as violências, as catástrofes naturais, etc. Deus permite que tais coisas aconteçam para que nós seres humanos as enfrentemos com paciência, oferecendo a Ele nossa cruz do dia a dia, vivendo com espírito de partilha e solidariedade, fazendo o que for possível para ajudarmos os outros a levar também sua cruz.
Bem, voltemos ao que é vontade de Deus. Primeiramente temos que saber que a Santa Vontade de Deus engloba vários aspectos. Os dois principais, que resumem tudo, seriam a nossa salvação eterna e a história humana. Uma leitura que muito ajudaria a nossa reflexão seria a do livro do Êxodo. Lá nós vemos como Deus trabalhou pelo bem e salvação do povo eleito de Israel, permitindo a eles, inclusive, muitos sofrimentos e dissabores, tudo visando a sua conversão e perseverança na fé. Sim. Deus testa nossa fé e nossa fidelidade. Testa com o sofrimento. Isso é vontade de Deus. Não fiquemos “chateados” com nosso Deus. Ele é nosso Pai. Ele sabe que frequentemente precisamos de correção, do clássico “puxão” de orelhas para que nos voltemos para Ele. Fazer o quê? Faz parte de nossa condição humana, herdada de nossos pais Adão e Eva. Deus é “obcecado” por nossa salvação eterna. Quer que um dia cheguemos ao Céu. Para isso temos que passar pela cruz, assim como Ele, na Pessoa de Jesus, passou. Deus trabalha nossa salvação eterna, trabalhando em nossa história de vida.
Bem, o caminho ou “método” para a salvação eterna de nossas almas já está muito bem relatado nos santos evangelhos, bem como nos dez principais mandamentos da Lei de Deus. Para nos salvarmos temos que amar a Deus sobre todas as coisas, pronunciar seu santo Nome com respeito, respeitar e guardar suas principais festas, honrar pai e mãe, não matar ou prejudicar a vida de ninguém, guardar a castidade de acordo com nosso estado de vida, não furtar ou subtrair algo de ninguém, não invejar ou cobiçar as coisas alheias, não cometer adultério contra nosso cônjuge e nunca levantar falso testemunho contra nossos irmãos e irmãs. Além disso, de acordo com o Sermão das Bem – Aventuranças e outros discursos feitos por Cristo Jesus, para nos salvar temos que ser desapegados dos bens materiais, temos que renunciar a tudo que atrapalha o nosso amor a Deus e ao próximo, tem que levar nossa cruz cotidiana com paciência e resignação, temos que ser puros de coração, mansos, pacíficos, humildes, pobres de espírito e ter grande sede de Deus e de sua justiça (justiça nas Sagradas Escrituras é tudo que é santo, correto e bom). Tudo isso nos levará seguramente para a salvação eterna ao lado de Deus. Portanto, não precisamos nos estender muito no tocante a qual seja a vontade de Deus no tocante à nossa salvação eterna. Ele quer que todos nós nos convertamos, que renunciemos e abandonemos todo e qualquer pecado, que abracemos a virtude e sejamos santos. Pronto! Essa é seguramente a vontade de Deus no tocante à nossa salvação eterna.
Muito bem, podemos até nos convencer que Deus que nossa salvação eterna e que lutemos por ela. No entanto, o “problema” justamente está em compreendermos, aceitarmos e nos resignarmos quando Deus permite que o sofrimento venha a “bater” na “porta” de nossas vidas. Como é difícil, meu Deus! Como facilmente nos revoltamos convosco! Nossa pouca fé e nosso pouco amor, bem como nosso instinto de autodefesa rapidamente nos levam à revolta e às vezes até à blasfêmia.
Herdamos de nossos primeiros pais, Adão e Eva, o mesmo pecado deles. Por isso que se chama “pecado original”. E que pecado seria esse? Todos nós somos nossos próprios “deusezinhos”. Temos um “amor próprio”, um instinto de auto – conservação e auto – preservação extremamente aguçados. Isso é impressionante! Como é difícil aceitarmos a vontade ou a permissão de Deus em nossas vidas quando elas vão exatamente de encontro aos nossos interesses, melindres e vontades próprias! Muitas vezes essa vontade ou permissão vão de encontro até contra nossos instintos básicos, tais como: amor pela nossa vida, apego a parentes e amigos, desejos e ambições. Não é verdade? É exatamente aí que quase todos nós caímos. Para nós é muito difícil ver em tudo isso a presença amorosa de Deus que quer que vençamos, com Ele, todas as nossas cruzes, que encontremos nelas meios eficazes de conversão e de libertação de nós mesmos, nossos “deusezinhos particulares” para termos apenas nEle e só nEle toda a nossa vida e consolação.
Não pensem, meus irmãos e irmãs, que Deus se compraz ou se alegra com o choro de uma mãe que perde um filho ou filha em um acidente, ou quando este filho ou filha padece e morre de alguma doença grave. De forma alguma! Deus sofre e chora junto com essa mãe. Deus é misericordioso e compassivo. Deus é pleno em bondade, ternura e amor. Não nos livra da cruz, porque ela é própria do gênero humano (“tome a sua cruz”...), por causa do pecado de nossos primeiros pais, mas nunca nos abandona. Está ao nosso lado, sempre. Parece invisível, pois, somos cegos. Fechamos os olhos de nossas almas com muita facilidade. Queremos que Ele sempre esteja conosco do nosso jeito, da maneira que achamos que Ele tem que fazer. Queremos que Ele sempre nos dê saúde, prosperidade e sorte na vida. Achamos que Ele praticamente tem a obrigação de fazer a nossa vontade e não que nós tenhamos que fazer a dEle! Por isso nos revoltamos quando a vontade ou a permissão dEle não é igual à nossa.
O sofrimento faz parte do “ônus” de sermos humanos. Todos nós temos que passar pelo sofrimento e pela dor, uns mais, outros menos. Esse sofrimento já começa em nosso próprio nascimento. Como sofremos ao nascer! Graças a Deus que em nossa memória não ficam gravados os tormentos que sofremos no útero de nossas mães no momento das contrações do parto! Creio que se nos lembrássemos de tudo, ficaríamos loucos. Deus, até nisso, foi misericordioso para conosco. Tão logo respiramos, isto é, tão logo nascemos, logo nos esquecemos de tudo e somos consolados com a presença amorosa de nossas mães e somos acalentados pelo delicioso leite de seus seios. Como Deus é bom! No entanto, toda nossa vida, a partir daí, será repleta de lutas. Sentiremos fome, sede, choraremos sentindo a falta de um abraço, de um consolo, sentiremos cólicas, pegaremos as primeiras gripes ou viroses, ficamos sujos, etc. A vida é assim... Fazer o quê? A culpa foi nossa. Leiamos o que Deus disse aos nossos primeiros pais quando estes pecaram: “Disse também à mulher: Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio.” E disse em seguida ao homem: “Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer, maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar” (Gênesis 3, 16-19).
Portanto, meus irmãos e irmãs, é “normal” para Deus permitir que tenhamos que lutar na vida, que penemos, que trabalhemos, que tenhamos que fazer a nossa parte no mundo. A vida é assim. E isso não a torna menos bela. Não! Deus continua conosco. Ele está perto de nós, ao nosso lado. Ele nos dá força, nos encoraja, nos dá esperança e vida constantemente. O problema é que não O vemos. Fechamo-nos em nosso “mundinho” e não enxergamos a um palmo de nossos narizes. Não vemos a Deus nas “noites escuras” que Ele permite que nos ocorram para o nosso bem. Somos cegos. Somos nossos próprios “deusezinhos” e só ficamos satisfeitos quando a nossa vontade é feita, não a de Deus. E olha que a nossa vontade geralmente não nos conduz à felicidade verdadeira e à vida...
Como somos diferentes dos habitantes do Céu! Lá, apenas a vontade dEle, por mais difícil ou incompreensível que pareça ser, é que é feita e comprida à risca. Os santos amaram a vontade de Deus na terra, por isso é que a amam no Céu. Pensam que isso foi fácil? Não conheço um santo ou santa que não tenha sofrido muito. As histórias dos processos de beatificação e canonização estão cheias dessas histórias. O que eles ou elas tinham de diferente de nós? Eram, porventura, insensíveis? Eram masoquistas? Não! Claro que não! Muitos, inclusive, eram bastante sensíveis e até mesmo frágeis de saúde e compleição física. O que tinham de diferente? Amavam a Deus, amavam-nO ardentemente! Isso faz a diferença. Quando amamos a Deus e estamos certos, convencidos que Ele também nos ama, aceitamos tudo o que vir em nossa vida. Aceitamos a tempestade e a bonança, a dor e o alívio, a fome e a fartura, a doença e a saúde, o trabalho e o descanso, não como coisas próprias, mas, tudo como dom de Deus. Isso também faz a diferença.
Quando consideramos as coisas e fatos em nossas vidas como coisas e fatos “isolados de Deus”, vivemos em grande desassossego e intranquilidade. Temos medo de tudo. Tudo nos causa medo. Se estamos na “calmaria” temos medo que venha a “tempestade”. Se estamos na “tempestade”, achamos que ela nunca mais tem fim. Ficamos impacientes. Esses pensamentos fazem-me pensar no episódio da tempestade no mar da Galileia. Puxa vida! Os apóstolos e discípulos estavam com Jesus na barca. Eles já haviam assistido a estupendos e maravilhosos milagres! Nada disso bastou quando veio sobre eles a ventania e a revolta das ondas. Eles nem prestaram atenção em Jesus que dormia tranquilamente. Voltaram seus olhares, atenções e medos unicamente para a tempestade. Não olharam para Jesus. Não imitaram Jesus. Gritaram de medo e pavor. Desesperaram. Não fazemos exatamente o mesmo? Nos sofrimentos de nossa vida, desesperamos facilmente. Não olhamos para Jesus que “dorme”, mas, que está junto de nós. Não temos fé de que Deus está junto de nós, mesmo quando aparentemente “dorme”...
Ó meu Deus, que seja feita a vossa Vontade, assim na terra como no Céu! Vossa vontade muitas vezes misteriosa e incompreensível às nossas pobres inteligências e à nossa pouquíssima fé é sempre para o nosso bem. Não creremos nisso? Vamos viver eternamente assim, infelizes, desconfiados de Deus? Somos assim tão mesquinhos e interesseiros?
Que a vossa Vontade seja feita na terra como é feita no Céu! Que Jesus nos ensine a crer e em amar a vossa Vontade. Quantas vezes, meu Jesus, fizestes a vontade do Pai a “duras penas”, mas, a fizestes ardendo de amor e desejo que essa vontade se cumprisse até o fim! Que exemplo, Jesus! Quantos exemplos nos deixastes de adesão heróica à vontade de Deus Pai, chegando ao ponto do sacrifício de vossa vida! 
Que também a Virgem Maria nos ensine a crer e a amar a vossa santíssima Vontade, assim como Ela creu e amou mesmo no momento da profecia de Simeão, na perseguição de Herodes, no exílio para o Egito, na vida pobre e humilde de Nazaré, na saída de Jesus para sua missão messiânica e no momento de sua Paixão e Morte de Cruz. Nunca duvidastes, ó Maria, do Amor e da Bondade de Deus, mesmo vendo o vosso Filho pendente no madeiro da Cruz, sofrendo os mais cruéis tormentos. Vossa fé jamais se abalou. Ajudai-nos. Ajudai-nos! Vede nosso pouco amor a Deus. Vede nossa pouca fé. Ajudai-nos. Ajudai-nos a amar a vontade de Deus, mesmo quando ela vier com sofrimento e cruz. Somente assim seremos felizes, verdadeiramente felizes como vós fostes. Somente assim seremos felizes como o foram os santos e santas de Deus. Amém!

Ângelus dia 28-10-12

"Jesus Cristo, a verdadeira novidade que responde às expectativas do homem"

As palavras do Papa durante a oração do Ângelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 28 de outubro de 2012 (ZENIT.org) – Ao final da Missa celebrada com os Padres Sinodais para a conclusão da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, o Papa Bento XVI recitou a oração do Ângelus. Estas são as suas palavras:

[Antes do Ângelus]
Caros irmãos e irmãs!
Com a Santa Missa celebrada esta manhã na Basílica de São Pedro, terminou a XIII Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos. Por três semanas enfrentamos a realidade da nova evangelização para a transmissão da fé cristã: toda a Igreja estava representada e, portanto, envolvida nesse esforço, que não deixará de dar os seus frutos, com a graça do Senhor. Primeiro de tudo, no entanto, o Sínodo é sempre um momento de grande comunhão eclesial, e por isso eu quero agradecer a Deus com todos vocês, que mais uma vez nos fez experimentar a beleza de ser Igreja, e sê-lo hoje, neste mundo tal qual ele está, no meio desta humanidade com as suas dificuldades e esperanças. Muito significativa foi a coincidência desta Assembleia sinodal com o 50 º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, e portanto com o início do Ano da Fé. Repensar o Beato João XIII, o Servo de Deus Paulo VI, no tempo conciliar, tem sido muito bom, porque nos ajudou a reconhecer que a nova evangelização não é uma invenção nossa, mas é uma dinâmica que se desenvolveu na Igreja especialmente a partir da década de 50 do século passado, quando se tornou evidente que mesmo os Países de antiga tradição cristã tornaram-se, como acostumamos dizer, “terra de missão”. Assim surgiu a necessidade de um renovado anúncio do Evangelho nas sociedades secularizadas, na dupla certeza de que, por um lado, é só Ele, Jesus Cristo, a verdadeira novidade que responde às expectativas do homem de todas as épocas, e por outro, que a sua mensagem pede para ser transmitida de modo adequado nos diferentes contextos sociais e culturais.

O que podemos dizer depois destes intensos dias de trabalho? Da minha parte, eu escutei e reuni muitos pontos de reflexão e muitas propostas, que, com a ajuda da Secretaria do Sínodo e dos meus colaboradores, buscarei ordenar e elaborar, para oferecer a toda a Igreja uma síntese orgânica e indicações coerentes. Desde já podemos dizer que deste Sínodo sai um reforçado esforço para a renovação espiritual da mesma Igreja, para poder renovar espiritualmente o mundo secularizado; e esta renovação virá da redescoberta de Jesus Cristo, da sua verdade e da sua graça, da sua "face", tão humana e tão divina, sobre a qual brilha o mistério transcendente de Deus. Confiamos à Virgem Maria os frutos do trabalho da Assembleia Sinodal apenas concluido. Ela, Estrela da nova evangelização, nos ensine e nos ajude a levar Cristo a todos, com coragem e com alegria.

[Depois da recitação da oração do Ângelus, o Papa lançou o seguinte apelo:]
Começo com um apelo.
Nos últimos dias um furacão devastador atingiu com particular violência Cuba, Haiti, a Jamaica e as Bahamas, causando várias mortes e extensos danos, fazendo com que várias pessoas fossem obrigadas a deixar as próprias casas. Desejo assegurar a minha proximidade e lembrança a todos aqueles que foram atingidos por este desastre natural, enquanto convido a todos à oração e à solidariedade, para aliviar a dor dos familiares das vítimas e oferecer ajuda aos milhares de danificados.

[No final do Ângelus, o Papa cumprimentou os peregrinos. Em português disse:]
Dirijo agora uma calorosa saudação aos peregrinos de língua portuguesa, e de modo especial ao grupo vindo do Brasil - das dioceses de Guaxupé, São João da Boa Vista e Jundiaí. Ao concluir a Sínodo sobre a Nova Evangelização, confio à Virgem Santíssima os seus frutos e peço-Lhe que guie e proteja maternalmente os vossos passos ao serviço do anúncio e testemunho da Boa Nova de Jesus Cristo! A minha Bênção desça sobre vós, vossas famílias e comunidades cristãs.
[Tradução do Italiano Thácio Siqueira]

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Abertura do ano formativo na Obra Castelo Interior de Santa Teresa de Jesus

A Comunidade Rainha do Carmelo, nesta tarde do dia 22 de outubro de 2012, deu inicio o ano de formação na obra de nossa Santa Madre Teresa de Jesus, Castelo interior.

Após a 3º palestra ministrada por nosso irmão Giovani, (santificado seja o vosso nome), a comunidade recebeu os novos irmãos que inciarão no processo de discernimento de sua vocação na ocds, ocasião propicia da abertura do nosso ano de formação no estudo das Moradas de Santa Madre Teresa de Jesus.

Maria Luisa e Regina, duas andarilhas de Deus organizavam as malas para entrar neste castelo. 

 Para isso foi preciso retirar tudo o que era de supérfluo.
 Para levar o essencial que não pode faltar no caminho.







Nossa formadora Neila, segurando o coração "meu espirito se alegra em Deus".


Vídeo do momento da oração com o canto do Castelo Interior.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

3ª PALESTRA SOBRE O PAI NOSSO


SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME

À primeira vista parece ser muito estranho esse pedido do Pai Nosso: “Santificado seja o vosso nome”. Santificado seja o vosso Nome? Como assim? Não teria sido mais “normal” Jesus ter dito: “Louvado seja o vosso Nome”, ou “Bendito e adorado seja o vosso santo Nome”, ou ainda, “Glorificado seja o vosso Nome”? Não é nada usual desejar que o Nome Santíssimo de Deus seja santificado. Seria quase uma redundância não acham? Permitam-me esta comparação, mas, seria o mesmo que desejar que a luz do sol seja brilhante ou que a água seja molhada.

O Nome de Deus (sempre escreverei a palavra “nome” com “N” maiúsculo quando estiver me referindo a Deus) já é Santo por natureza. Deus é o Santo, Santo, Santo! Assim O louvam a multidão dos Anjos no Céu: “Os serafins se mantinham junto dele. Cada um deles tinha seis asas. Suas vozes se revezavam e diziam: ‘Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama a sua glória’” (Isaías 6, 2-3).

Deus é a própria santidade, a perfeição infinita. Jesus mesmo dirigindo-se aos discípulos, apontou seu Pai como o modelo e fim e toda a santidade: “Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mateus 5, 48). Assim, sua santidade infinita nem aumenta e nem diminui mais do que já é, visto que Deus é imutável. Então, o que significa desejar que o Nome de Deus seja santificado?

Do ponto de vista humano, o bom nome de um pai ou de uma mãe é confirmado ou enaltecido no modo de ser de seus filhos. Não é verdade? Quando vemos uma criança ou um jovem com bom comportamento, imediatamente associamos isso à boa educação de seus pais. Ao contrário, quando vemos uma criança ou um jovem demonstrando má conduta ou comportamento errado, de pronto dizemos: “que mal-educado”! Olha só! Atribuímos o bom ou o mau comportamento à boa ou má educação dos pais.

Deus é Pai. Sua maior honra, sua maior glória é a santidade de seus filhos e filhas! A maior razão de sua alegria é ver seus filhos e filhas sendo semelhantes ao Filho Jesus: “Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu (a alegria de Deus) por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento(Lucas 15, 7). Deus se compraz na santidade de seus filhos e filhas. Claro que a santidade de Jesus, Filho Único de Deus, é suficiente para suprir toda a humanidade, no entanto, o Pai ama seus filhos e filhas adotivos e se sente feliz em ser amado por eles. Como todo “pai orgulhoso”, contempla seus filhos e filhas fiéis e com eles e por eles Se compraz e rejubila: "Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas. Tais como as flechas nas mãos do guerreiro, assim são os filhos gerados na juventude. Feliz o homem (aqui poderíamos dizer: feliz Deus Pai) que assim encheu sua aljava: não será confundido quando defender a sua causa contra seus inimigos à porta da cidade. Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas”. (Salmo 126, 3b-5).

Jesus mesmo associou a glorificação do Nome do Pai ao “bom comportamento” (as boas obras) dos filhos e filhas de Deus: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas, sim, para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus (Mateus 5, 14-16). Interessante notar no texto que mais uma vez Jesus usa a palavra “céus” para designar os lugares onde o Pai está, isto é, no Céu empíreo e em todos os lugares onde é adorado, amado e obedecido, inclusive nos corações humanos.

Que maravilha pensar que quando rezamos o Pai Nosso, desejamos que o Nome Santo de Deus seja santificado no modo de viver de seus filhos e filhas! Que lindo, meu Deus! Imagino o amor e o fervor de Jesus no momento que rezou essa parte do Pai Nosso! Como Ele deve ter ardentemente desejado que o bom Nome de Deus fosse santificado em toda a terra, em cada continente, em cada nação ou povo, bem como nos corações de cada filho e filha de Deus: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13, 35).

Podemos deduzir de tudo isso que comentamos que desejar que o Nome do Pai seja santificado é desejar “tudo de bom” para Deus. É desejar que esse Nome seja buscado, conhecido, acolhido, respeitado, venerado, adorado, amado, obedecido, honrado e glorificado. Santificar o Nome de Deus é tudo isso! Assim como os serafins que clamam sem cessar: “Santo, Santo, Santo”, quem verdadeiramente ama a Deus, cumprindo Sua Santa Vontade, com seu modo de viver e exemplo de sua vida clama sem cessar: “Santo, Santo, Santo sois Vós, meu Deus! Não sou eu quem vivo, mas é Cristo que vive em mim (cf. em Gálatas 2,20)! Tudo é vosso, meu Deus! Eu não sou nada! Eu não sou nada! Toda honra, toda glória, poder e majestade vos pertencem, Senhor nosso Deus” (cf. em Apocalipse 4,11)!


VENHA A NÓS O VOSSO REINO

Tenho uma tia que sempre considerou essa parte do Pai Nosso uma das mais importantes de toda a oração. Argumenta ela que neste pedido está contido tudo, isto é, a síntese de tudo que poderíamos supor ou imaginar pedir de bom e de útil às nossas almas e para as nossas vidas. Ela tem razão. Diz-me também que quase ninguém pensa na importância, mérito ou valor dessas palavras e que elas, durante a prece, passam quase despercebidas. Mais uma vez ela tem razão. Será que realmente intuímos no que dizemos ao pedir: “venha a nós o vosso Reino”?

Os santos evangelhos diversas vezes falam no Reino de Deus. Jesus veio trazer à terra o Reino de seu Pai. Que significa isso? Todas as vezes que pensamos em “reino” ou “reinos” logo imaginamos aqueles reinos das histórias infantis, com castelos, terras, com reis, rainhas, príncipes, princesas, cavalheiros, súditos, etc. Nossa noção de reino é muito “materializada” e muito “humanizada”. Somos muito parecidos com são Tomé: só cremos no que vemos. Para muita gente é difícil crer em Deus ou em sua ação e influência no mundo, visto que não O vemos com os olhos da carne e, aparentemente, parece que Ele nos entregou à nossa própria sorte. “Onde está o teu Deus”?, dizem.

Pilatos, durante o julgamento de Jesus, perguntou: “Tu és rei”? Realmente, como crer que aquele homem simples, vestindo uma túnica de linho e preso pelos sacerdotes e fariseus, era o Rei dos judeus, do mundo e de todo o universo? Como crer que o Reino de Deus existe se pouco vemos essa “presença” misteriosa de Deus no mundo?

Jesus utilizou-se de varias comparações quando falou do Reino. Comparou-o a um pequeno “grão de mostarda”, a um “semeador” que semeia em terrenos diversos, ao “fermento” que faz a “massa de trigo” crescer, a uma “pérola preciosa” que um homem acha no campo, falou diversas vezes que ele estava “próximo”, e, mais ainda, que estava “no meio deles”.

Nosso Deus, apesar de toda a sua infinita majestade é muito simples. Seu modo de agir, na maioria das vezes, é feito no silêncio, na simplicidade do dia a dia. Deus não gosta de alardes, não gosta de “espetáculos” e nem quer “aparecer”. Jesus levou uma vida muito simples quando esteve na terra. Nasceu pobre em uma gruta de Belém, esteve incógnito no Egito, foi um menino simples de Nazaré, trabalhava na oficina de carpintaria de seu pai nutrício São José, compareceu ao batismo de São João Batista como todos os outros, foi pregador itinerante, fazendo todos os percursos a pé, como o fazem os pobres, muitas vezes pedia segredo quando curava alguém, fugia para lugares desertos, frequentava as vilas pobres, comia com os pecadores, abraçava as crianças, isto é, nada que um “rei mundano” faria.

Meu reino não é deste mundo. Meu reino não é daqui”, respondeu a Pilatos. Claro que o “pobre governador” não entendeu nada e considerou Jesus um louco. Como estava longe da compreensão do Reino! O pensamento mundano cega a compreensão do Reino. Quem pensa como o mundo pensa (portanto, como satanás pensa) jamais consegue compreender o que é o Reino e onde ele está. Caminha às cegas, às escuras, totalmente obscurecido por uma “realidade” que ele julga compreender. Realmente esses “cegos na fé” são os que mais acham que veem ou entendem alguma coisa. Acham-se “sábios” e “entendidos” para as coisas do mundo. Eles tem os que creem como tolos ou iludidos, como pessoas dignas de pena. Coitados! Eles é que são dignos de pena, pois são verdadeiramente cegos e caminham para a perdição eterna! Não buscam a verdade. Antes, a aborrecem ou, mesmo, a odeiam. Como são dignos de nossa pena! Vivem na mentira e a mentira os atordoa e ilude.

Para tentarmos ao menos entender um pouco desse Reino, necessário se faz que ao menos queiramos saber a verdade. Nem todos gostam da verdade. A verdade dói. A verdade incomoda. A verdade denuncia. A verdade vem para mudar nossa vida, nosso modo de pensar e de agir. Por que isso? Porque geralmente vivemos na mentira, enganamo-nos a nós mesmos, vivemos em nosso “mundinho”, em nossos “reinozinhos”, sendo nossos próprios “reis” e “rainhas”. Muitas vezes somos iguais a Herodes: temos pavor do reinado de Jesus, o Menino de Belém. Temos medo de que Ele nos destrone, que acabe com nossa autossuficiência e com os “reinos” que tão dedicadamente construímos ao nosso redor.

Meu reino não é deste mundo. Meu reino não é daqui! Brada a cada um de nós o Cristo do Pai. Sim! O Reino é dos Céus. O Reino é do Pai. Ele é o Rei, juntamente com a Pessoa do Filho e a do Espírito Santo. Para compreendermos esse Reino, antes de tudo, temos que querer conhecer a verdade, e, a Verdade é Jesus. Foi Jesus quem veio nos trazer esse Reino. Jesus é o próprio Reino!  

E o que é o Reino de Deus? O Reino de Deus é a presença de Deus no mundo, nos povos, nas famílias e em cada coração. Jesus veio trazer o Reino ao mundo porque Ele próprio é a perfeita realização desse Reino: Jesus é o Emanuel, o Deus Conosco. Se permitirmos que Deus seja o centro de nossas vidas, o Reino de Deus estará no meio de nós. Se permitirmos que Ele seja o Rei de nossos corações, todo o seu Reino O acompanhará e se estabelecerá em nossas vidas.

Para que esse Reino aconteça temos que desejar, buscar, acolher e viver a verdade. Essa verdade é o próprio Cristo Jesus. Mas, será que temos o mesmo coração que Pilatos? Na entrevista que teve com Jesus, no momento de seu injusto julgamento, perguntou ao Senhor: “o que é a verdade”? Jesus ficou calado. Adiantava dizer àquele homem de coração corrompido e mundano que a Verdade era Ele mesmo? Jamais entenderia.

Desejar e pedir ao Pai que o seu Reino venha a nós é desejar tudo que está escrito nos Santos Evangelhos:

·        Aceitar Jesus como nosso Senhor e Salvador.

·        Arrepender-se dos pecados e buscar a conversão.

·        Desejar ser santo, amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

·        Levar uma vida evangélica conforme o espírito das bem-aventuranças que Cristo ensinou.

·        Renunciar a si mesmo e levando a cruz cotidiana com paciência e amor.

·        Ser um bom cristão católico, buscando com frequência e amor os santos sacramentos.

·        Frequentar e praticar piedosamente a Sagrada Liturgia.

·        Participar ativamente do discipulado e apostolado de Cristo, sendo “sal da terra” e “luz do mundo” em nossa família, no trabalho, na escola, no lazer e na paróquia e/ou diocese à qual pertencemos.

Tudo isso é “Reino de Deus” em nossas vidas. Será que realmente desejamos e pedimos isso quando rezamos o Pai Nosso?
Giovani Carvalho Mendes, ocds